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O assédio moral e sexual no ambiente de trabalho continua sendo uma das formas mais graves de violência enfrentadas pelas bancárias. Em um setor marcado por metas abusivas, pressão constante por resultados e relações hierárquicas rígidas, muitas trabalhadoras convivem diariamente com situações de humilhação, constrangimento, intimidação e medo, fatores que impactam diretamente a saúde mental e a dignidade no exercício profissional.
Dados consolidados em 2025 reforçam a dimensão do problema no setor bancário. Levantamento da consultoria KPMG, apresentado nas mesas de negociação do ramo financeiro, aponta que 30% dos trabalhadores relataram ter sofrido algum tipo de assédio, sendo que 41% dos casos ocorreram no ambiente profissional.
O dado chama atenção para a realidade vivida por muitas bancárias, especialmente diante de estruturas de gestão baseadas em cobrança excessiva e vigilância permanente. Entre as formas mais recorrentes de violência estão o assédio moral, a humilhação cotidiana, a exposição vexatória e a intimidação psicológica, além de casos de assédio sexual.
Outro número alarmante do levantamento mostra que 92% das vítimas não formalizaram denúncia, o que revela a dimensão da subnotificação e o medo ainda presente entre as trabalhadoras em buscar apoio institucional. O silêncio, muitas vezes, está relacionado ao receio de retaliações, perda de função, prejuízos à carreira e falta de confiança nos canais internos.
Dados consolidados pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), com base nos canais de denúncia de 42 instituições financeiras — que representam 97,6% da categoria — também evidenciam o agravamento do problema. Entre 2020 e 2024, as denúncias de assédio moral cresceram 144,8%, enquanto os registros de assédio sexual avançaram 600%.
O cenário reforça que o assédio no setor bancário não se trata de casos isolados, mas de um problema estrutural, frequentemente associado ao modelo de gestão imposto pelas instituições financeiras. A pressão constante por metas, a sobrecarga de trabalho e práticas de cobrança abusivas seguem sendo apontadas como fatores que favorecem episódios de violência e adoecimento mental.





