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Atendendo ao pedido das entidades sindicais, a direção do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) confirmou a antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para o mês de fevereiro, condicionado ao pagamento dos dividendos aos acionistas. O anúncio foi feito durante a primeira reunião da mesa permanente de negociação entre a Contraf-CUT, assessorada pela Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB) e o Banco. A reunião aconteceu na quarta-feira, dia 4/2, na sede administrativa do Passaré.
A direção do BNB parabenizou ainda o funcionalismo do Banco pelos resultados alcançados durante todo o ano de 2025. O presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo, destacou que a mudança no modelo de distribuição da PLR do BNB foi resultado de uma luta de 19 anos e que foi conquistada na Campanha Nacional de 2024, ou seja, fruto também da mesa de negociação. Ele entregou ainda ao Banco um calendário dos eventos do movimento sindical neste ano de 2026, incluindo o Congresso dos Funcionários do BNB e datas da Conferência Regional da Fetrafi/NE e da Conferência Nacional.
Outro item que foi conquista da mesa de negociação permanente foi o novo Convergente, também anunciado pelo Banco nessa rodada de negociação. Segundo o Banco, toda a avaliação será feita agora através de plataforma específica, que pode ser acessada através do celular, pelo app Meu RH. A direção do Banco tem realizado visitas nos estados para debater e esclarecer dúvidas sobre o novo modelo de avaliação e tem realizado treinamento com os gestores para esclarecer a utilização da plataforma.
“É muito importante destacar que o Convergente é também resultado e conquista da nossa mesa de negociação permanente. Vamos acompanhar a implantação do novo Convergente e seguir contribuindo, sempre buscando melhorar o programa de avaliação. Lembrando também que, atendendo à nossa solicitação, o Banco vai disponibilizar na plataforma um canal para sugestões e reclamações dos funcionários. Vamos continuar atentos e na defesa dos direitos do funcionalismo do BNB”, ressaltou Carmen Araújo, representante do Ceará na CNFBNB.
PCR
A Comissão Nacional cobrou também um posicionamento sobre o novo Plano de Cargos e Remuneração (PCR). O Banco informou que já teve algumas reuniões junto ao Ministério da Fazenda, em Brasília, quando foram solicitadas algumas adequações. O Banco já está fazendo essas adequações e deve voltar à Brasília em breve para rediscutir o tema. O ponto positivo é que a representação do governo reconheceu que o plano já tem 20 anos e precisa realmente ser rediscutido.
O Banco reforçou que está encaminhando tudo com solidez técnica, para evitar idas e voltas da proposta para os órgãos de controle, sempre discutindo quaisquer modificações com os membros da comissão paritária, formada por representantes do Banco e do movimento sindical, que foi criada para construir a proposta do novo PCR.
Plano de Funções
A Comissão solicitou ainda informações sobre melhorias nas funções de Gerente Executivo de Central e das gerências médias das agências, e o Banco informou que já há proposta tramitando nos comitês internos do BNB, mas sem dar previsão de conclusão desse processo.
Diversidade e inclusão
O Banco destacou que vem intensificando políticas de inclusão e projeção para a liderança e que deve realizar um evento no mês de março exaltando o protagonismo feminino. Ainda ressaltou que todas as políticas são criadas coletivamente, com base nos grupos focais sobre mulheres, gênero, raça/cor e PCD, todos conquistados na mesa de negociação, e após cobrança das entidades para acompanhar essas ações, o Banco ficou de enviar à CNFBNB um plano de ação sistematizado.
Celulares corporativos
A Comissão Nacional cobrou mais uma vez a entrega de celulares corporativos aos funcionários que precisam do aparelho para trabalhar. O Banco informou que está discutindo o tema internamente. A CNFBNB reforçou que essa política é salutar para a própria saúde mental do funcionário, ressaltando ainda o direito à desconexão.
Autenticação em duas etapas no Gerenciamento do Nordeste Eletrônico
O Banco sofreu recentemente um ataque cibernético, sem vazamento de dados, mas que ainda está sendo investigado com prioridade máxima e que todos os demais assuntos relativos à segurança, como essa autenticação, serão analisados com mais cuidado posteriormente.
“O movimento sindical entende os desafios que estão sendo enfrentados diante desse ataque ao sistema de pagamento que envolve até a credibilidade do sistema financeiro, mas vamos aguardar um posicionamento oficial do banco para essa solicitação”, ressaltou Carlos Eduardo. O prazo para definição desse problema é até 24 de fevereiro.
Diárias a serviço
A CNFBNB cobrou a devolutiva sobre a manutenção dos valores das diárias após 60 dias de adição. O Banco informou que ainda não consegue dar uma palavra final sobre esse assunto, pois o impacto financeiro é alto e ainda está analisando a situação.
15 minutos de descanso para mulheres antes das horas-extras
A representação dos trabalhadores disse que as funcionárias não têm interesse nesse intervalo obrigatório antes de iniciar as horas-extras. O Banco informou que está apenas cumprindo as decisões judiciais sobre o tema, mas não se furta a negociar a questão com os sindicatos de cada base.
EPI’s para técnicos de campo
A Comissão Nacional cobrou que o Banco forneça os equipamentos de proteção individual (EPI’s) para os técnicos de campo, pois em muitos casos, os próprios funcionários estão comprando esses equipamentos para poder trabalhar. O Banco se comprometeu a avaliar a situação e dar uma resposta na próxima rodada de negociação.
Gerente de relacionamento
A Comissão afirmou que muitos gestores de carteiras de clientes estão entregando suas funções por não suportarem a carga excessiva de trabalho, que muitos estão pedindo para ocupar funções mais simples, mesmo com redução de remuneração, e também que há várias concorrências abertas para a função sem que ninguém demonstre interesse, e que tudo isso demonstra claramente que há uma carga excessiva de trabalho para esses profissionais. A CNFBNB sugeriu que o Banco avalie a possibilidade de criar mais carteiras de clientes para dividir melhor o trabalho e que tenha um auxiliar de negócios para cada gerente de relacionamento. O Banco avaliou a proposta como positiva e se comprometeu a estudá-la melhor com as demais áreas envolvidas.
Concurso
O Banco informou que deve convocar ainda em fevereiro mais uma turma de concursados do último concurso, convocando assim todo o cadastro de reserva. No total, já foram empossados 510 novos funcionários.
A CNFBNB cobrou mais uma vez a realização de um novo concurso para suprir toda a necessidade de funcionários das agências e das demais unidades do Banco, pois a falta de funcionários está sobrecarregando os trabalhadores, problema que se agravou após o último PDV.
Microcrédito
As entidades sindicais explanaram sua enorme preocupação com relação aos programas do CrediAmigo e do AgroAmigo, diante das imposições do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou uma nova licitação para escolher novas instituições para operacionalizar os programas de microcrédito do Banco. O Banco informou que tem cumprido as exigências do TCU e está preparando uma nova licitação com todos os cuidados que o assunto merece.
“Nossa preocupação não é apenas quem vai operacionalizar os programas de microcrédito do Banco. Entendemos que a licitação não deve acontecer, pois se o Crediamigo passar a ser operacionalizado por uma empresa privada financeiramente forte, uma fintech, por exemplo, tendo acesso aos seus milhões de clientes educados e aculturados para a adimplência e o consumo de produtos e serviços financeiros, seguros etc., ela pode facilmente se apropriar do programa que é a grande vitrine do BNB como banco focado no desenvolvimento regional, e que contribui fortemente também para os resultados financeiros do Banco do Nordeste. Nesse sentido, a solução ideal, apontada por uma consultoria contratada pelo BNB em 2019, é a internalização da operacionalização dos programas de microcrédito através da criação de uma subsidiária integral especificamente para isso, sem entregar a base de cliente, a metodologia e os agentes de microcrédito altamente capacitados a uma empresa que pode se tornar concorrente do Banco no setor de microcrédito”, afirmou Robson Araújo, coordenador da CNFBNB. “Se apenas uma transição mal-feita do INEC para a CAMED Microcrédito para a operacionalização do Crediamigo em 2022, já foi suficiente para a fatia de mercado do programa cair de 77% para 42% do mercado nacional de microcrédito produtivo orientado, e a rentabilidade do mesmo cair 80% naquele ano. Se o Crediamigo passar a ser operacionalizado por empresa privada fora do controle do Banco, correremos o sério risco de perder o programa inteiro”, completou.
Pela representação dos funcionários do BNB, participaram da negociação: o presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo, o coordenador da CNFBNB, Robson Araújo, Lusemir Carvalho, Ciro Chaves e Marcos Vinícius – Sindicato dos Bancários do Piauí; Carmen Araújo e Océlio da Silveira – Sindicato dos Bancários do Ceará; Fábio Sankley – Sindicato dos Bancários de Campina Grande, Rubens Nadiel – Sindicato dos Bancários de Pernambuco; Iury Filgueira – Sindicato dos Bancários de Alagoas; Edson dos Anjos – Federação CN; Waldenir Britto – FEEB BA/SE, João Wellington – Sindicato dos Bancários de Sergipe e Jeane Marques – Sindicato dos Bancários da Bahia.
Fonte: Bancários CE





