Crédito: Seeb São Paulo
Seeb São Paulo Trabalhadores pressionam Fenaban a atender reivindicações – Bancários de todo o país protestaram em Dia Nacional de Luta para pressionar a Fenaban (federação dos bancos) a ouvir as reinvindicações da categoria por melhores condições de trabalho e remuneração.

Em São Paulo, o ato na segunda-feira 15 mostrou que a insatisfação é geral. Na capital e em Osasco, 46 agências abriram duas horas mais tarde contra as metas abusivas, por mais contratações para acabar com a sobrecarga de trabalho, segurança e oportunidades iguais para todos.

Nesta terça e quarta-feira, 15 e 16, o Comando Nacional dos Bancários quer ouvir dos bancos respostas para pendências das rodadas da Campanha Nacional Unificada, realizadas até agora. No dia 19, os bancos se comprometeram a apresentar uma proposta global à categoria, inclusive para questões econômicas, como aumento real, PLR, vales e piso maiores, 14º salário.

“A cobrança é tão grande que já acordo desmotivado para vir para a agência”, conta um funcionário do Bradesco na região da Paulista. “Não dá nem para trabalhar direito com tanta pressão por resultados”, acrescenta.

“Fui promovido de cargo, mas continuo com o mesmo salário. Só o que aumentou foram as responsabilidades”, relata outro bancário, do Itaú. “Quando entrei no banco, há dois anos, eu tinha que vender 80 produtos por mês. Hoje já são 140 por mês. Promoção é sinônimo de exploração e não de crescimento”, diz um colega.

A indignação entre as bancárias é enorme, já que elas ganham em média 24% menos do que os homens nos bancos. “Não é justo!” enfurece-se uma funcionária do Bradesco. “Se a gente trabalha igual, temos que ganhar igual!”, bradou outra. “Existe alguma outra explicação para isso além do fato de vivermos em uma sociedade porca e machista?”, revoltou-se uma terceira.

No HSBC, a satisfação dos funcionários com a realidade não é diferente. “As condições de trabalho são péssimas. Falta infraestrutura, faltam funcionários. Na minha agência éramos em 14 há dois anos. Hoje somos em sete. O banco não quer gastar. Temos 30 cadeiras quebradas mas só podemos abrir cinco ordens de serviço por mês. E o HSBC ainda maquia resultados para não pagar PLR.”

No Banco do Brasil, o quadro é o mesmo. “Muitos colegas estão à base de remédios controlados. Em happy hours, é nítido que alguns estão à beira do alcoolismo. Outros vêm trabalhar parecendo pandas, de tanta olheira por causa da insônia. Tudo isso por causa da pressão pelo cumprimento de metas.”

Para ele, o BB deixou de ter função social. “É comum termos de oferecer microcrédito para quem não precisa, ou fazer venda casada para conseguirmos bater as metas. O banco se exime da responsabilidade, mas de forma velada nos induz a essa prática, e quando o cliente reclama, a culpa é sempre do funcionário.”

Para um empregado do Bradesco, a falta de auxílio-educação é o principal problema. A instituição financeira é a única entre as seis maiores a não conceder o benefício aos seus funcionários. “Eu faço Fies e estou tirando a oportunidade de outra pessoa com mais necessidade de cursar faculdade só porque o banco, que tem condições, se recusa a pagar. Para mim essa é a principal reivindicação da campanha nacional deste ano”, opina.

Uma bancária do Bradesco que aderiu ao ato no Centro explicou porque está disposta a participar de todas as mobilizações da campanha. “O trabalho nas agências está cada vez mais estressante. As metas são cada vez maiores e quando você está indo bem, achando que vai bater, eles aumentam no meio do mês. E não adianta se você costuma cumprir as metas, basta não conseguir uma vez que já é vista como incapaz, incompetente.”

Em Osasco

Sete agências bancárias ficaram com as portas fechadas na manhã da segunda 15, até às 12h, na região central de Osasco. Junto com o Sindicato, bancários de unidades do HSBC, Mercantil, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander cruzaram os braços para avisar que estão dispostos a lutar por avanços, na Campanha Nacional 2014.

Uma bancária desabafou: “É gritante a quantidade de gente para atender e a falta de condição de trabalho, não dá para aguentar mais”.

A importância das reivindicações de segurança foram escancaradas em uma agência da região (o banco não será mencionado para preservar a integridade física dos bancários), onde o abastecimento de caixas eletrônicos é feito pela frente, sem nenhuma proteção para o trabalhador.

“Faço horas extras, mas não gosto. Eu podia tirar um dia para compensar, mas os funcionários são poucos e não tem quem fique no lugar. Fica difícil para todo mundo. Falam para a gente fazer duas horas de almoço, mas isso não é do meu interesse”, relata outro empregado da Caixa sobre a necessidade de contratação. “A Caixa presta uma série de serviços que outros bancos não fazem como Bolsa Família e FGTS. Faltam funcionários. Quando entrei, a retaguarda tinha 10 empregados, agora tem dois”, completa um colega.

A sobrecarga que afeta toda a categoria e leva milhares ao adoecimento também foi relatada. “Antes de ficar doente psicologicamente, ninguém queria saber se eu estava fazendo trabalho por quatro ou cinco ao mesmo tempo. E, na hora que fiquei mal, todo mundo se afastou”, declarou um bancário.

“Falta gente para atender também porque tem muita gente afastada, com tendinite ou doença psicológica”, conta uma funcionária do Bradesco. Outra empregada do mesmo banco, explica como se sentiu ao adoecer. “Fiquei com síndrome do pânico e depressão. Um gerente-geral me dizia que eu não valia para nada. Eu comecei a acreditar nisso e não conseguia mais entrar para trabalhar.”

Fonte: Seeb São Paulo

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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