O ritmo do crédito segue forte, com avanço de 21% do estoque nos últimos doze meses e de 1,3% em fevereiro, mesmo depois das inúmeras medidas tomadas pelo Banco Central (BC) nos últimos três meses para esfriar a oferta de empréstimos.

Em parte, o crescimento segue acelerado porque os efeitos das medidas macroprudenciais ficaram concentrados em janeiro e o impacto nas linhas de consumo já diminuiu no segundo mês do ano. Além disso, os bancos não parecem dispostos a reduzir as concessões em um momento em que a economia segue aquecida, especialmente os públicos.

Tanto a Caixa Econômica Federal quanto o Banco do Brasil possuem previsão de expansão de suas carteiras de crédito acima do teto considerado aceitável pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, de 15%. Mesmo depois do forte discurso do presidente da autoridade monetária dizendo que vai monitorar crescimentos acima disso, as instituições estatais mantiveram suas estimativas.

O BB espera um avanço entre 17% e 20%. Para as pessoas físicas, a variação deve ficar entre 19% e 23%. A Caixa acredita em alta de 30%. Já o BC reduziu a previsão de expansão para as instituições estatais, de 15% para 14% – para os privados nacionais o BC estima avanço de 13%, e para os estrangeiros, 11%.

Uma das justificativas usadas pelas instituições públicas para manter o "guidance" é que a sua taxa de inadimplência é muito inferior à dos bancos privados, não havendo uma expectativa de aceleração muito forte dos atrasos. O índice médio de atrasos nos bancos estatais é de 2%, exatamente metade do número dos bancos privados nacionais (4%) e inferior, também, aos bancos estrangeiros (4,4%).

Segundo pessoas dos bancos públicos ouvidas pelo Valor, o crescimento neste ano será, sim, menor do que nos anos anteriores graças às medidas macroprudenciais, que representaram importante impacto nas concessões de crédito. "Em fevereiro e março recuperamos bem o ritmo de empréstimo, mas ainda estamos abaixo de dezembro", disse um executivo de um banco público.

De acordo com esse mesmo executivo, o crescimento pelos bancos públicos é de fato superior ao número esperado pelo BC, mas é preciso qualificar essa expansão. O BB, por exemplo, aponta que sua carteira já apresenta desaceleração nas linhas de consumo, principal preocupação do BC. Além disso, já tomou medidas para reduzir o prazo nas linhas atingidas pelas medidas prudenciais, como o crédito consignado, que agora tem limite de 36 meses.

Já a Caixa argumenta que está em curso uma "forte desaceleração dos empréstimos" e haverá redução efetiva quando comparada com o ritmo visto nos anos anteriores (30% neste ano, contra avanço de 41% registrado no ano passado e de 50% em 2009). "As taxas de crescimento estão caindo bastante e a diminuição da liquidez tem sido forte", segundo um executivo da instituição.

Desde dezembro do ano passado o BC tomou uma série de medidas. Ainda assim, em fevereiro os empréstimos voltaram a crescer, depois de recuarem bastante em janeiro. As concessões subiram 3,2% no mês passado, para R$ 165,8 bilhões no acumulado do mês. Segundo dados parciais de março, até o dia 17, o volume de crédito voltou a subir, 0,6% sobre igual período de fevereiro, crescendo 0,7% para as pessoas físicas e 0,5% para as empresas.

Tulio Maciel, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, disse que os efeitos das medidas ainda estão presentes. "Os efeitos são permanentes. Uma pessoa que for tomar crédito hoje encontra condições bem diferentes do que em novembro. A absorção das medidas é que varia ao longo do tempo."

Fonte: Valor Econômico /  Fernando Travaglini

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

WebMaster