Entre as instituições financeiras da América Latina e dos Estados Unidos, o Banco do Brasil foi a que teve a maior valorização das ações no primeiro semestre. É o que mostra um estudo da Economática, consultoria especializada em dados do mercado acionário. Dos seis bancos com maior valorização nos primeiros seis meses de 2009, quatro são brasileiros.

No período, os papéis do BB subiram 80,87%. O Morgan Stanley, segundo colocado, teve alta de 78,31%. Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander Brasil ocupam, respectivamente, o quarto, quinto e sexto lugares na lista das ações que mais subiram. Nos dados da Economática os valores foram ajustados para o dólar, que no período caiu 16,5% em relação ao real.

Na lista das 20 instituições com melhor resultado, 10 tiveram desempenho negativo. No fim do ranking está o Citigroup, com queda de 55,63%.

"Os números mostram que os bancos brasileiros tiveram uma importante recuperação, principalmente no segundo trimestre, o que confirma que as instituições brasileiras tem uma estrutura bem diferente da americana", explica Einar Rivero, responsável pelos dados, gerente de relacionamento institucional e comercial da Economática. O levantamento levou em consideração apenas os bancos com mais de US$ 100 bilhões em ativos.

Para Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, a recuperação dos bancos americanos é surpreendente, sobretudo depois que muitos deles "quase viraram pó". Os bancos americanos que encabeçam a lista, diz Santacreu, tiveram um reforço com a aquisição do filé mignon de instituições quebradas. É o caso do JP Morgan e do Goldman Sachs, cita.

O analista lembra que os bancos brasileiros também sofreram com a quebra do Lehman Brothers, principalmente os de médio porte, abatidos pelos saques dos investidores estrangeiros. A situação beneficiou as instituições de grande porte, como Bradesco e BB, para onde migrou parte desses depósitos.

"Logo se percebeu a solidez das bancos e eles voltaram a se valorizar. Era um período de ações baratas, mas agora é difícil saber se já não estão próximas do limite, porque a bolsa vem cedendo", comenta Santacreu.

Mariana Taddeo, analista da Link Corretora, lembra que a situação das instituições brasileiras se descolou dos EUA em boa parte porque são menos alavancadas e não estavam no meio de um calote generalizado do setor imobiliário. "Agora, o momento será de se observar como vai se comportar a inadimplência no Brasil. No segundo semestre, o crédito deve continuar crescendo. Com juros menores, os bancos vão ganhar menos, mas poderão aumentar o volume emprestado", argumenta Mariana.

Fonte: O Estado de São Paulo / Paula Pacheco

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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