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DSC 2125 red mod RobsonPor Robson Luís Andrade Araújo

Niccolò di Bernardo dei Macchiavelli, ou simplesmente Maquiavel, é reconhecido como o fundador da ciência política moderna por ter sido o primeiro a escrever sobre o Estado e o governo como realmente são, e não como deveriam ser. Em sua principal obra, O Príncipe, ele ensina que para manter o controle de seus súditos, o príncipe virtuoso deve ser amado ou temido; de preferência, temido.

Fazendo uma analogia com a realidade atual no Banco do Nordeste, percebemos claramente que a diretoria executiva da instituição, “coincidentemente” com a chegada do então diretor de administração e TI, e atual presidente do BNB, Nelson Antônio de Souza (o psicólogo), está seguindo à risca os ensinamentos de Maquiavel, aterrorizando os funcionários com metas abusivas, “lembranças” constantes do risco de descomissionamento para os que não atingirem os resultados exigidos, uso de expressões desrespeitosas como “gerente serrote” para se referir a quem não atinge suas metas sempre, inclusive informando que o banco é quem escolhe onde estes funcionários irão trabalhar, lembrando assim o comportamento do tirano Byron Queiroz, que transferia quem o desagradasse para lugares isolados e distantes de suas bases familiares, provocando destruição de famílias e até suicídios durante toda sua gestão.

A situação fica ainda pior quando a instituição perde totalmente a credibilidade junto aos seus funcionários ao se recusar a cumprir compromissos assumidos com estes, como a revisão do Plano de Cargos e Remuneração (PCR) da instituição e, pelo segundo ano consecutivo, fere a Constituição Federal e a Lei de Greve ao constranger os grevistas a voltarem ao trabalho, utilizando-se de ameaças de corte de ponto, que é uma tática ilícita utilizada com a intenção de enfraquecer ou até mesmo destruir movimentos paredistas que são um direito garantido aos trabalhadores pela nossa Carta Magna.

Mas a vida é uma “caixinha de surpresas”. Nenhum conhecimento é absoluto. E eu, humildemente, vou me atrever a fazer um acréscimo às teses de Nicolau Maquiavel: “No Estado democrático e de direito, ninguém, absolutamente ninguém, é suficientemente temido para evitar o levante dos oprimidos.”. Ao contrário do que aconteceu em 2013, quando a greve dos BNBeanos foi destroçada em poucas horas pela ameaça do banco, nesse ano, os trabalhadores, ao perceberem que, se cedessem novamente às pressões do banco e voltassem ao trabalho, mesmo em estado de greve, se tornariam reféns dessa diretoria truculenta e covarde, e jamais conseguiriam maiores avanços em suas campanhas salariais, resolveram bater de frente com o psicólogo. Tornaram-se comuns frases como “prefiro ser derrotado pelo TST a ceder às ameaças do banco”. Até mesmo algumas unidades que, até então não haviam aderido à greve, após verem a tática maquiavélica do banco se repetir, aderiram ao movimento, numa grande demonstração de coragem e de solidariedade de classe.

A greve dos funcionários do BNB de 2014 vai entrar para a história como o movimento que iniciou a derrubada da nova tirania instalada na cúpula do Banco do Nordeste. Os trabalhadores deram seu recado ao psicólogo, digno dos maiores revolucionários da história da humanidade – “Preferimos morrer de pé a viver de joelhos”.

* Robson Luis Andrade Araujo é funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e diretor do Sindicato dos Bancários da Paraíba (SEEB-PB)

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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