Há cerca de três meses, Bradesco e Itaú Unibanco começaram a levar dinheiro até o Acre dividindo um mesmo carro-forte. Bastante trivial mundo afora, só há pouco tempo esse tipo de compartilhamento começou a ser usado pelos bancos brasileiros. Agora, cédulas e moedas de diferentes instituições financeiras são transportadas até as regiões Norte e Nordeste do país dentro de um mesmo veículo.

A aliança entre concorrentes é apenas um exemplo da corrida que os bancos iniciaram em busca da redução de custos.

O tradicional leilão de joias penhoradas da Caixa Econômica Federal, por exemplo, passou a ser virtual. O leilão presencial exigia a exposição das peças em centenas de agências, onerando o processo com custos de transporte e segurança das peças. Com a mudança, a despesa com vigilância caiu mais de 60%. Já dentro do Santander, cada vez mais tira-se proveito das compras globais feitas pela matriz espanhola, de olho na economia que a escala pode proporcionar.

Com um corte aqui e outros tantos acolá, os bancos querem gerar cada vez mais receitas com gastos mais baixos. Por enquanto, o jeito mais prático que encontraram de fazer isso foi poupando despesas. De janeiro a março deste ano, as despesas administrativas e de pessoal dos bancos cresceram 3,23% em relação a igual período de 2012, ficando bastante abaixo da inflação.

“Em um cenário de compressão de spreads, cortar custo foi o caminho mais curto que os bancos encontraram para não se tornarem menos eficientes”, diz Luiz Carlos Angelotti, diretor de relações com investidores do Bradesco.

Até agora, porém, só as instituições privadas têm mostrado avanços no chamado índice de eficiência. O indicador mostra quanto os bancos precisam gastar para gerar R$ 100 de receita. Quanto menor, mais eficiente é um banco. Entre 2011 e 2012, os índices de Itaú, Bradesco e Santander recuaram mais de um ponto percentual. No Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, maiores bancos públicos do país, o movimento foi inverso.

Os resultados fazem parte de um estudo da consultoria A.T. Kearney, que adota uma fórmula padronizada para calcular o índice de eficiência dos cinco maiores bancos do país, desconsiderando as perdas que têm com a inadimplência. Os indicadores apresentados pelos bancos em seus balanços não são comparáveis, pois cada instituição segue uma metodologia de cálculo.

A pesquisa da A.T. Kearney mostra que o Itaú é a instituição que menos gasta para obter receita. No ano passado, a cada R$ 100 faturados, o banco teve uma despesa de R$ 41,3 ou R$ 1,4 a menos do que em 2011. No Bradesco, essa cifra foi de R$ 43,2 e no Santander, de R$ 47,3, com queda de R$ 1,5 e R$ 1,2, respectivamente. No Banco do Brasil e na Caixa, porém, os gastos aumentaram e atingiram R$ 47,8 (+ R$ 2,2) e R$ 60 (+ R$ 1).

Com a Selic em nível historicamente baixo e a crescente competição, a palavra eficiência passou a ser uma das mais faladas dentro das instituições. “Eficiência sempre foi importante, mas nunca foi tão relevante quanto agora”, diz Rogério Calderón, diretor de controladoria do Itaú. Segundo Calderón, a conclusão da integração do Itaú com o Unibanco tem contribuído para a eficiência do banco, já que acabou com a duplicidade de operações. Os cortes atingiram todas as áreas, incluindo o quadro de funcionários que de março de 2012 a março deste ano encolheu em 6.339 funcionários, a maior redução entre os bancos.

O analista do Goldman Sachs Carlos Macedo pondera que, ao avaliar o índice que considera o risco da carteira de crédito publicado no balanço, o Itaú se aproxima dos demais bancos. Isso se deve a problemas com calotes enfrentados recentemente. Assim, esse indicador foi de 72,8% de janeiro a março. Mas, segundo Calderón, deve haver redução neste ano.

No Bradesco, o debate em torno da eficiência começou em 2010, quando o banco criou um comitê para discutir o tema. Fazem parte dele o presidente, 12 vice-presidentes e sete diretores da instituição. Logo de cara, convocaram todas as áreas do banco para mostrar planos de negócios e avaliar onde seria possível reduzir custos e elevar receitas. Cada gestor assumiu compromissos com a diretoria.

Em meio a isso, surgiu uma mudança, por exemplo, na logística de conserto de caixas eletrônicos. Agora, quando uma máquina do Bradesco quebra, o técnico chega de moto. Ao driblar o trânsito, o especialista consegue consertar muito mais caixas eletrônicos por dia. Além disso, faz o banco perder menos oportunidades de negócios.

Fonte: Valor Econômico / Karin Sato e Carolina Mandl

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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