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A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram dois dos patrocinadores do 27º Encontro de Juízes Federais, que aconteceu entre 10 e 13 de novembro em um hotel cinco estrelas na ilha de Comandatuba, na Bahia. A informação é do jurista Wálter Maierovitch, colunista da CartaCapital, em artigo publicado na edição desta semana da revista.
Segundo o colunista, a Caixa teria contribuído com R$ 280 mil e o BB com R$ 100 mil para a realização do evento. Os demais patrocinadores, ainda segundo o artigo, foram o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, que teria contribuído com R$ 60 mil, a Souza Cruz, a Eletrobrás e o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial. Os três últimos não revelaram o valor de suas contribuições.
Sem entrar no mérito da importância ou não de encontros como esses, o que chama a atenção é que todos os patrocinadores são empresas ou instituições que quase sempre figuram como partes em ações judiciais. No artigo, o colunista ironiza o fato e lembra que os magistrados deveriam ser isentos e acima de suspeitas. "O leitor, caso promovesse uma ação indenizatória contra um dos patrocinadores, desconfiaria da isenção do magistrado julgador e partícipe do encontro?", questiona Maierovitch.
Os bancos estão entre as empresas com maior número de ações movidas por trabalhadores e por clientes. Por essa razão, o Sindicato dos Bancários de São Paulo repudia o patrocínio de eventos da magistratura por instituições financeiras.
"Somos absolutamente contrários a esse tipo de procedimento. Esse dinheiro pode influenciar as decisões dos juízes. É importante que o Judiciário seja independente e esse tipo de situação levanta dúvidas quanto à isenção dos magistrados", critica o diretor executivo do Sindicato, Ernesto Izumi.
Fonte: Seeb São Paulo