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Em contraste, lembra o relatório trimestral do BIS, nenhum sistema bancário sozinho concentra mais da metade dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos, do Japão ou do Reino Unido.
No fim de setembro, segundo o relatório, os principais bancos da zona do euro eram credores de 60% dos empréstimos feitos em toda a região, ou US$ 1,2 trilhão. E a proporção de sua participação era muito maior nos países periféricos em crise do que, por exemplo, da Alemanha (46%) ou da França (32%).
O quadro serve de subsídio às expectativas de que não só os governos da região mas também os grandes bancos acorram para ajudar a Grécia.
O país deve anunciar uma nova emissão de títulos nesta semana, aproveitando que as taxas sobre seus papéis cederam um pouco após o anúncio de um pacote fiscal por Atenas e a promessa renovada de mais medidas austeras.
Os bancos alemães, segundo noticiou o diário britânico "Financial Times" na sexta-feira, devem ser os principais compradores desses novos títulos.
O BIS também chama a atenção para a disparada no incipiente mercado de CDS -os credit default swaps, derivativos que os investidores compram para se proteger de uma possível moratória, mas que têm sido alvo de especulação e apostas no default grego.
Apesar da volatilidade no índice ligado a esse mecanismo, no entanto, sua participação no mercado ainda é pequena. O crescimento significativo só se deu porque antes o instrumento era virtualmente inexistente no caso europeu -um exemplo é o caso português, onde apenas 5% da dívida pública está "coberta" pelos CDS.
Embora foque os países mediterrâneos, o BIS chama atenção para o endividamento do setor público com os bancos nos países desenvolvidos como um todo. Nos EUA, o salto nos primeiros nove meses do ano foi de 20%. Pesaram as injeções para reavivar a economia no pós-crise, mas também, ironicamente, o pacote de benesses aos próprios bancos.
Na França, o endividamento do setor público com os bancos saltou mais ainda, 29%, e na Alemanha, 15%. No Reino Unido o aumento foi de 13%.
Na contramão, o avanço da fatia dos bancos nas dívidas públicas grega e portuguesa foi muito menor no período: respectivamente, 5% e 9%.