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O encontro é o coroamento de um amplo processo que visa dois objetivos fundamentais: promover uma discussão democrática e a mais ampla possível com os bancários e estreitar a unidade nacional da categoria.
Esse debate democrático começou com as consultas que os sindicatos, sob a coordenação da Contraf-CUT, fizeram em suas bases para conhecer as expectativas e as reivindicações dos trabalhadores. Prosseguiu com as assembléias, encontros estaduais e conferências regionais, que, a partir do resultado das consultas e de um caderno de subsídios elaborado pela Contraf-CUT, discutiram, aprovaram as propostas e elegeram seus delegados para a Conferência Nacional.
A categoria também manifestou o desejo de melhorar a PLR na Campanha Nacional 2010, preservar e ampliar os empregos nos bancos e ter mais segurança nas agências. Os trabalhadores do ramo financeiro querem ainda a igualdade de oportunidade para todos dentro das empresas, pondo fim às discriminações que dificultam a ascensão profissional das mulheres, dos negros e das pessoas com deficiência.
As consultas e os debates nos Estados também sinalizam uma preocupação dos trabalhadores com o papel dos bancos no desenvolvimento econômico e social do país. O sistema financeiro que está aí não serve à sociedade brasileira. É preciso aumentar a oferta de crédito e reduzir o spread, os juros e as tarifas para que a sociedade tenha acesso a recursos mais baratos e possa sustentar o ritmo de crescimento que o Brasil necessita para gerar mais empregos e mais renda para todos. É necessário democratizar o sistema financeiro, ampliar a participação da sociedade no Conselho Monetário Nacional (CMN) e colocar limites à autonomia do Banco Central.
Mais de 80% dos bancários se posicionaram nas pesquisas contra a privatização dos bancos públicos. Este é um dos temas importantes que as eleições de outubro colocam na ordem do dia para os bancários e para toda a sociedade brasileira.
Sabemos que há claramente dois projetos em disputa no pleito. Um aposta no fortalecimento do Estado e das empresas públicas como fator de desenvolvimento socioeconômico. O outro defende o Estado mínimo e a privatização das estatais, política adotada na década de 1990, que quase aniquilou o patrimônio público nacional e não resolveu os problemas da sociedade.
Há muitos outros assuntos que interessam a todos os trabalhadores, como a geração de empregos e a inclusão social. A eleição será uma escolha sobre o Brasil que queremos para o futuro. Os bancários precisam ter participação ativa para continuarmos avançando rumo a um Brasil ainda mais justo, com inclusão social.
Além da fervura do clima eleitoral, a Campanha Nacional dos Bancários de 2010 se desenvolverá em um ambiente extremamente positivo. A economia cresce em ritmo acelerado. Os indicadores apontam para uma geração recorde de empregos. E os bancos continuam aumentando seus lucros como sempre.
Os bancários e a sociedade exigem a contrapartida social: mais empregos, menos filas; mais crédito para o desenvolvimento, menos juros; mais aumento real; menos metas e mais saúde.
Apesar da conjuntura favorável, sabemos todos que os bancos são osso duro de roer. Em 2009, os bancários fizeram a mais forte campanha salarial das últimas duas décadas, com uma paralisação expressiva inclusive nos bancos privados. E conquistamos aumento real pelo sexto ano consecutivo, melhoramos a PLR, além de conquistas sociais como a licença-maternidade de 180 dias.
Para conquistar novos avanços na Campanha Nacional 2010, os bancários sabem que é preciso manter a unidade de toda a categoria e construir uma grande mobilização em todo o país. E, se necessário, ir à greve como nos anos anteriores. Um outro banco é necessário. As pessoas em primeiro lugar.
Carlos Cordeiro,
Presidente da Contraf-CUT
Fonte: Contraf-CUT