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Capítulo 1 – Tentativa fracassada
No ano de 2021 algo muito estranho aconteceu com o Banco do Nordeste, todos fomos surpreendidos com um vídeo nas redes sociais no qual Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), pediu a exoneração do então presidente e de toda a diretoria, porque o Banco tinha um contrato de aproximadamente R$ 600 milhões com uma ONG, e que isso era inaceitável.
Poucos dias depois Romildo Rolim foi exonerado da presidência do BNB, e foi colocado interinamente no cargo o então diretor de negócios Anderson Possa, que em seu primeiro dia naquela nova posição, informou ao mercado que faria uma licitação para a operacionalização do Crediamigo.
O que Valdemar Costa Neto não disse foi que a tal ONG era o Instituto Nordeste Cidadania (INEC), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que operacionalizava com maestria o Crediamigo desde o ano de 2003 e contribuiu para tornar os programas de microcrédito do Banco referências mundiais em microcrédito produtivo orientado… Ele também não disse que esse microcrédito era responsável por uma enorme fatia dos resultados financeiros e sociais do Banco, que o INEC só recebia pelo trabalho realizado apenas os valores dos custos operacionais (por ser uma instituição sem fins lucrativos), e que qualquer empresa que fosse contratada pelo para substituí-lo custaria quase 100 milhões de reais a mais para o Banco todos os anos, pois empresas pagam vários impostos que as OSCIPs têm isenção… Também foi “esquecido” pelo presidente do PL que a parceria entre o BNB e o INEC era totalmente legal e auditada, com todas as contas aprovadas pelos órgãos de controle.
Enfim, o vídeo de Valdemar foi apenas o golpe final para justificar a derrubada do presidente Romildo Rolim, por ele ter se recusado a fazer no Crediamigo uma mudança desnecessária, perigosa e que custaria muito mais caro para o Banco (o cara bateu no peito e disse: “Perco a presidência, mas não faço esse absurdo”), o que se mostrou correto da parte dele a partir da mudança ocorrida em 2022, que provocou enormes prejuízos para o BNB.
Há rumores de que o então governo Bolsonaro e o centrão queriam retirar o INEC da operação a qualquer custo, para entregar a operacionalização do CrediAmigo a uma empresa, que tanto ela quando seu principal sócio, respondem por vários processos judiciais e extrajudiciais, no Brasil e nos Estados Unidos, por várias fraudes, inclusive contra o sistema financeiro nacional. Se isso é verdade, ou quais os interesses por trás disso, não sei. Mas que a rádio corredor fala nisso, fala.
Capítulo 2 – Custo muito maior que o esperado
Mesmo com a licitação tendo sido encerrada sem a contratação de nenhuma empresa, pois nenhum dos concorrente tinha capacidade operacional para fazer funcionar uma plataforma tão grande quanto o Crediamigo, e havia muita pressão contra o Banco por todos os lados, com a imprensa expondo as fraudes da principal concorrente e seu dono, denúncias no Ministério Público e na CVM (Ouve-se falar até que tal empresa apresentou documentação falsa no processo licitatório); o Banco ainda tinha a ordem de retirar o INEC da operação, por ser considerada pelo governo como uma ONG petista. E para isso, retiraram Anderson Possa, que não conseguiu entregar a encomenda, da presidência, e colocaram Gomes da Costa, que por sua vez fez uma transição desastrosa, renovando várias vezes o contrato com o INEC por três meses de cada vez, até encontrar uma forma de atender à ordem do governo Bolsonaro, mesmo sabendo que não existia nenhuma empresa no país com experiência e capacidade para operacionalizar o Crediamigo, pois até mesmo os concorrentes do BNB nesse setor, todos juntos, detinham apenas 20% do mercado nacional de microcrédito produtivo orientado em 2021. O Banco do Nordeste, mesmo tendo apenas 30% da população do país em sua área de atuação, detinha naquele ano quase 80% daquele mercado no país.
Nesse período, as incertezas geradas entre os agentes de crédito do Crediamigo os forçaram a procurar outras ocupações, pois não sabiam se ainda teriam seus empregos no trimestre seguinte. Com isso, a concorrência fez a festa, pois captou grandes talentos, muito bem treinados, e com todos os clientes de suas carteiras na cabeça. Isso fez com que o Banco do Nordeste tivesse sua fatia do mercado de microcrédito produtivo orientado reduzida para 43% em meados de 2023, com o Crediamigo já sendo operacionalizado naquele momento pela Camed Microcrédito, que tinha sido criada especificamente para isso e contratada sem licitação em meados de 2022 (essa foi a “solução” encontrada pela gestão de Gomes da Costa).
Agora em 2025, após três anos operacionalizando o Crediamigo, a Camed Microcrédito adquiriu a expertise necessária para fazê-lo, inclusive, o BNB recuperou um pouco da fatia de mercado perdida durante a transição irresponsável e amadora realizada na gestão Gomes da Costa, respondendo atualmente por cerca de 52% do mercado nacional, mas isso não muda o fato do contrato ter sido feito sem licitação, e consequentemente, ser ilegal, fazendo com que o Banco seja obrigado a resolver o problema criado pele governo anterior e seus indicados para presidir a instituição.
Capítulo 3 – A solução
O importante é não cometer os mesmos erros que cometeram em 2021… o principal deles foi excluir do processo a única instituição que realmente tinha condições e operacionalizar o Crediamigo, como sempre operacionalizou, que era o INEC, que foi excluído com uma exigência de um capital equivalente a um percentual importante do valor do contrato, pois como entidade sem fins lucrativos, não tem reservas financeiras de grande monta, e que são desnecessárias para cumprir fielmente o objeto do contrato, e o Banco sabia disso.
Atualmente há apenas duas instituições com know-how, esse sim é um requisito essencial, para operacionalizar os programas de microcrédito urbano e rural do Banco do Nordeste, com milhares de contratos todos os dias, orientação para os clientes, inadimplência baixíssima, presença em todos os municípios da área de atuação do Banco e muito mais, e elas são o INEC e a Camed Microcrédito.
Se o mesmo erro for cometido novamente, o Banco do Nordeste entregará de vez sua plataforma de microcrédito que trás grandes resultados sociais e econômicos em toda sua área de atuação, bem como importantes resultados financeiros para o BNB.
A concorrência está de olho… só esperando pela oportunidade de abocanhar outra grande fatia do mercado de microcrédito produtivo orientado, se o BNB cometer novos erros.
Acredito que a atual gestão do Banco do Nordeste não vai entregar o ouro dessa vez.
Por Robson Luís Andrade Araújo





