Mesmo ciente de que os bancos devem desacelerar a concessão de crédito ao longo do ano, em linha com a política monetária restritiva imposta pelo Banco Central (BC), a Caixa Econômica Federal não pretende recuar. A meta de expansão de 30% da carteira, definida no ano passado, foi mantida pela nova diretoria, que assumiu no início deste ano.

"Vamos continuar aumentando nossa participação de mercado", diz Raphael Rezende Neto, vice-presidente de controle e risco da Caixa. "Vamos crescer ganhando mercado, o que é mais importante", completou. O BC acredita em avanço de 15% para o sistema financeiro no ano.

A instituição ganhou mercado em quase todos os produtos neste primeiro trimestre e já responde por 10,87% do estoque de empréstimos do sistema financeiro. Apenas o crédito imobiliário apresentou leve queda, de 0,3 ponto percentual, passando a responder por 75,76% do total.

Para atender à determinação de crescimento do crédito, Rezende afirma que um dos principais focos será ampliar as concessões para a atual clientela, de 53 milhões de pessoas. Muitos deles têm apenas uma poupança ou um crédito imobiliário e são potenciais tomadores de outras linhas.

A Caixa aposta também nos empréstimos para as empresas. Somente no primeiro trimestre, a expansão da carteira para as pessoas jurídicas foi de 14,6%, chegando a R$ 32,7 bilhões. O saldo das linhas para o consumo atingiu R$ 28,2 bilhões, alta de 4,5% nos primeiros três meses do ano.

O lucro da instituição foi de R$ 812 milhões no primeiro trimestre (os números do PanAmericano não estão consolidados). As receitas com operações de crédito atingiram R$ 6,202 bilhões no período, com expansão de 12,05% sobre o quarto trimestre. Já as despesas com provisão avançaram 33,8% na mesma base de comparação, para R$ 1,577 bilhão.

A inadimplência da carteira comercial (pessoas físicas e jurídicas) apresentou crescimento nos últimos dois trimestres, passando de 2,9%, em setembro, para 3,1% agora em março. A maior alta ocorreu na de consumo, que passou de 4,5% para 4,9% nos últimos seis meses. Já a carteira total teve leve alta, de 0,1 ponto percentual.

Rezende afirma que a inadimplência não preocupa. "Os números foram descendentes desde 2008 e estabilizaram a partir de setembro." Segundo ele, a perspectiva agora é que permaneçam nesse patamar. "Não há nada nos números que mostre que a inadimplência está subindo", disse.

Fonte: Valor Econômico / Fernando Travaglini

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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