Getting your Trinity Audio player ready...
|
Crédito: Roberto Parizotti – CUT

O mais importante é que a plenária nos unifique em torno do tema e seja um impulso para uma mobilização constante. Precisamos incluir a reforma política na agenda sindical e debatê-la junto às bases. O assunto tem de ser popularizado, tornar-se um movimento, para que as propostas de mudança não sejam cosméticas ou prejudiciais aos trabalhadores.
Lula expressou no encontro a opinião de que o cerne da reforma deve ser o fortalecimento dos partidos políticos e da democracia e o combate à influência do poder econômico.
O ex-presidente não defende Constituinte exclusiva só em 2014. A ideia é mobilização já. Partiu dele a ideia de realizar a plenária. A data ainda será definida.
A CUT apresentou, durante o encontro, os principais pontos que defende para uma reforma, todos debatidos durante o recente seminário sobre o tema:
– voto em lista
-financiamento público de campanha e fidelidade partidária
– garantir proporcionalidade de fato
– democratização das relações de trabalho, o que inclui a ratificação da Convenção 87 da OIT (que garante liberdade e autonomia sindical)
– redefinir o papel do Senado, hoje uma casa revisora (o que na opinião da CUT é ruim, pois tolhe a ação da Câmara dos Deputados, e em grande parte das vezes pelo viés conservador)
– regulamentação do artigo 14 da Constituição, aquele que prevê instrumentos de democracia direta como referendos e plebiscitos.
A Central também lembrou a necessidade de democratizar os meios de comunicação e o poder Judiciário, dois fortes instrumentos de ação política sem voto. O tema já havia sido abordado, durante a reunião, pelo presidente da CGTB, Antonio Neto.
Apesar do que ocorreu durante o encontro – ao qual os jornalistas não tiveram acesso – os portais de notícia na internet preferiram dar destaque a outra notícia: a de que Lula teria defendido uma Constituinte exclusiva, em 2014, para debater o tema.
Enfoque errado. O que Lula defendeu em primeiro lugar, e com isso temos acordo, é de que a mobilização das entidades populares deve se dar desde já para que a reforma saia ainda este ano.
Num determinado momento da reunião, que durou duas horas, Lula comentou muito rapidamente que, caso a reforma não saia este ano, uma alternativa seria uma Constituinte exclusiva. Um comentário que não indica preferência ou decisão tomada.
Porém, mal informada por algum dirigente que participou da reunião, a imprensa escolheu este enfoque para tentar demonstrar que nós já teríamos, de saída, desistido da reforma ainda este ano.
Participaram da reunião, pela CUT, o presidente Artur Henrique, o secretário-geral Quintino Severo e o secretário de Administração e Finanças, Vagner Freitas.
Fonte: Blog do Artur Henrique – CUT