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Comparando a pesquisa entre as capitais, observa-se que Rio de Janeiro (4,82%), Porto Alegre (4,49%), Curitiba (2,19%), Aracaju e Florianópolis (as duas últimas com elevação de 2,02%) apresentaram os maiores aumentos. As retrações mais significativas foram apuradas em Fortaleza (-4,13%) e Natal (-1,70%).
No oitavo mês de 2011, dos 12 produtos registrados pela pesquisa em João Pessoa, apenas 4 apresentaram queda: tomate (-15,83%), óleo de soja (-2,46%), feijão (-1,78%), e manteiga (0,19%). Dos 8 produtos que apresentaram alta, destaca-se o açúcar que cresceu seu preço em 3,83% , banana (3,8%) e café (3,54%). Os outros produtos que apresentaram aumento nos preços foram: arroz (2,65%), carne (2,27%), farinha (1,5%), leite (1,94%), pão (0,65%) e manteiga (0,29%).
João Pessoa continua possuindo a segunda cesta básica mais barata entre as 17 capitais onde o DIEESE realiza a pesquisa mensal. Com um valor de R$ 202,47, a cesta pessoense está atrás apenas do custo registrado em Aracaju (R$ 187,73).
Tabela 1 – Quanto se trabalha para comer em João Pessoa |
||||||
Produtos |
Quantidades |
Gasto mensal |
Variação |
Tempo de trabalho |
||
Agosto |
Julho |
Agosto |
Julho |
|||
Total da Cesta |
202,47 |
204,40 |
-0,94 |
81h44m |
82h31m |
|
Carne |
4,5 kg |
66,78 |
65,30 |
2,27 |
26h57m |
26h22m |
Leite |
6 l |
12,60 |
12,36 |
1,94 |
5h05m |
4h59m |
Feijão |
4,5 kg |
14,94 |
15,21 |
-1,78 |
6h02m |
6h08m |
Arroz |
3,6 kg |
5,80 |
5,65 |
2,65 |
2h20m |
2h17m |
Farinha |
3 kg |
6,09 |
6,00 |
1,50 |
2h28m |
2h25m |
Tomate |
12 kg |
24,24 |
28,80 |
-15,83 |
9h47m |
11h38m |
Pão |
6 kg |
36,30 |
36,06 |
0,67 |
14h39m |
14h33m |
Café |
300 g |
3,22 |
3,11 |
3,54 |
1h18m |
1h15m |
Banana |
7,5 dz |
12,30 |
11,85 |
3,80 |
4h58m |
4h47m |
Açúcar |
3 kg |
6,51 |
6,27 |
3,83 |
2h38m |
2h32m |
Óleo |
900 ml |
3,17 |
3,25 |
-2,46 |
1h17m |
1h19m |
Manteiga |
750 g |
10,52 |
10,54 |
-0,19 |
4h15m |
4h15m |
Variações acumuladas
Em João Pessoa, nos oito primeiros meses de 2011, os produtos que apresentaram redução em seus preços foram: feijão (-19,42%), arroz (-11,99%), manteiga (-3,57%) e carne (-1,46%). Quanto aos produtos que apresentaram altas foram: tomate (60,32%), banana (21,42%), café (15,83%), açúcar (8,5%), farinha (7,98%), óleo de soja (5,67%) e pão (3,24%). O leite foi o único produto que teve variação nula.
Alimentação básica da família pessoense custa R$ 607,41
Em João Pessoa, o custo da cesta básica, para o sustento de uma mesma família durante um mês, conforme cálculo adotado pelo DIEESE, foi de R$ 607,41 no mês de agosto, o equivalente a aproximadamente 1,11 vezes o salário mínimo bruto de R$ 545,00. Vale destacar, que este cálculo toma por base uma família composta por 2 adultos e 2 crianças, que por hipótese, consomem o mesmo que 1 adulto.
Comprometimento do Salário Mínimo com a Cesta Básica em João Pessoa é de 40,38%
Para comprar os alimentos essenciais, um trabalhador que ganha salário mínimo precisou cumprir, em agosto uma jornada de 81 horas e 44 minutos. Em julho este valor era de 82 horas e 31 minutos. Em agosto de 2010, a jornada exigida era de 79 horas e 04 minutos.
Quando a comparação é feita com o salário mínimo líquido (após o desconto da parcela correspondente à Previdência), o resultado é semelhante. Em agosto, o custo médio da cesta representou 40,38% do mínimo líquido, já o de julho ficou em 40,77%. Em agosto de 2010 este percentual era de 39,07%.
Salário Mínimo Necessário: R$ 2.278,77
Com base no maior valor apurado para a cesta e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o salário mínimo necessário. Para agosto, seu valor foi calculado em R$ 2.278,77 – que corresponde a 4,18 vezes o mínimo em vigor, de R$ 545,00. Para julho, o piso mínimo era estimado em R$ 2.212,66, ou 4,06 vezes o menor valor pago no país, enquanto em agosto de 2010, quando os preços dos gêneros essenciais estavam em queda, o mínimo necessário era calculado em R$ 2.023,89, o que corresponde a 3,97 vezes o piso de então, de R$ 510,00.
Comportamento dos preços nas capitais
A maioria dos itens que compõem a cesta básica teve predominantemente alta em agosto, contribuindo para o aumento do custo do conjunto de produtos alimentícios essenciais em grande parte das localidades pesquisadas.
O açúcar – cuja produção este ano foi prejudicada pelas condições climáticas, com muita chuva reduzindo o teor de sacarose, seguido de excesso de sol no período da colheita – teve aumento em 16 capitais, com destaque para Brasília (11,54%), São Paulo (9,05%), Salvador (7,69%), Florianópolis (6,15%) e Goiânia (6,11%). Apenas em Belém não houve alteração de preço. Na comparação anual, a elevação foi apurada em todas as 17 capitais, com variações entre 13,51%, em Natal e 42,96%, em Belo Horizonte. Patamar acima de 40% também foi encontrado em Aracaju (42,94%) e Vitória (41,18%).
Treze capitais registraram aumento no preço da carne, em agosto, em especial no Rio de Janeiro (5,74%), Vitória (4,74%) Brasília (4,08%) e Florianópolis (4,02%). Houve estabilidade em Porto Alegre e reduções foram observadas em Fortaleza (-1,06%), Salvador (-1,12%) e Natal (-1,59%). Nos últimos 12 meses, o preço da carne subiu em todas as 17 capitais, com os aumentos mais expressivos apurados em Florianópolis (25,05%), Fortaleza (24,93%), Rio de Janeiro (23,22%), Belém (23,09%) e Belo Horizonte (23,04%), enquanto três regiões registraram elevações inferiores a 10%: Salvador (9,49%), Porto Alegre (8,09%) e Goiânia (5,83%). As geadas no Sul e em Mato Grosso do Sul, importantes regiões produtoras, queimaram as pastagens que ainda foram prejudicadas pelo sol muito forte que seguiu o período de chuvas, e acabou com o capim, provocando perda de peso do gado.
Fortes chuvas e geadas prejudicaram também a produção da banana, item cujo preço subiu em 12 capitais, como se verificou em Natal (12,20%), Rio de Janeiro (9,41%) e Porto Alegre (8,21%). Em cinco locais o preço caiu, com destaque para Salvador (-8,56%) e Florianópolis (7,18%).
Leite, arroz e café tiveram alta, em agosto, em 11 localidades.
Para o leite, os maiores aumentos foram registrados em Vitória (3,24%), Recife (2,83%) e Rio de Janeiro (2,74%). Aracaju, Belo Horizonte e Porto Alegre não apresentaram variação e recuos foram apurados em Belém (-0,41%), Curitiba (-0,46%) e Brasília (-2,35%). No período anual, houve aumento em 15 cidades, lideradas por Belo Horizonte (18,84%), Vitória (13,33%), Manaus (13,30%) e Rio de Janeiro (13,28%). Em Aracaju o preço não se alterou e em Brasília houve redução de 0,64%. Da mesma forma que para a carne, o comprometimento das pastagens por geadas seguidas por período de muito calor contribuiu para diminuir a produção do leite e elevar o preço do produto.
No caso do arroz, pesadas chuvas e inundações prejudicaram a produção. A principal alta ocorreu em Aracaju (17,38%), vindo a seguir Goiânia (7,32%) e Fortaleza (6,21%). Em Belo Horizonte e Curitiba os preços permaneceram estáveis. Variações negativas foram apuradas em Porto Alegre (-0,64%), Salvador (-1,16%), Vitória (-1,29%) e Manaus (-2,05%). Em 12 meses, porém, o arroz está mais barato em todas as capitais, registrando variações entre -2,24%, ocorrida em Aracaju e -15,30%, encontrada em Porto Alegre e Salvador. Para esta redução de preço no ano concorreu o fato de o governo estar incentivando a produção, seja com financiamento subsidiado ou política de garantia de preço.
O preço do café, em agosto, teve os maiores aumentos anotados em João Pessoa (3,54%), Brasília (3,16%) e Curitiba (3,01%). Houve estabilidade em Recife e redução em cinco cidades, em especial, em Salvador (-2,24%) e Goiânia (-1,77%). Todas as 17 capitais pesquisadas registraram alta no café, em comparação com agosto de 2010 e em 16 delas a elevação foi superior a 10%. Os principais aumentos ocorreram no Rio de Janeiro (23,97%) e em Curitiba (20,85%), e apenas em Aracaju (2,92%) a variação foi mais modesta.
Dez localidades apresentaram alta no preço do pão, em agosto, a mais expressiva apurada em Salvador (7,48%). Dentre as seis cidades com redução, o destaque foi Brasília (-2,89%), enquanto em Belém houve estabilidade. Já em comparação com agosto do ano passado, houve aumento em todas as regiões, com as maiores taxas apuradas em Fortaleza (11,78%) e Rio de Janeiro (11,32%) e as menores em Salvador (0,20%) e Brasília (0,17%). A produção do trigo foi prejudicada pelas geadas no sul do país, em particular, no Paraná.
O tomate, produto cujo preço é sujeito a oscilações, apresentou fortes aumentos em nove capitais, com as maiores variações verificadas em Porto Alegre (37,23%) e no Rio de Janeiro (20,92%). As quedas mais acentuadas ocorreram em Fortaleza (-23,08%) e João Pessoa (-15,83%). Na comparação anual, o tomate está mais caro em todas as regiões, com taxas muito expressivas em localidades como Rio de Janeiro (104,96%), Salvador (97,84%) e Brasília (96,21%). As bruscas alterações no clima foram a causa dos aumentos.
O óleo de soja registrou queda de preço na comparação com o mês passado em 11 capitais, com destaque para Salvador (-8,44%). Houve estabilidade em Goiânia e aumento em cinco cidades, o único significativo apurado em Fortaleza (11,08%). Em 12 meses, o preço subiu em todas as localidades pesquisadas, com aumentos que variaram entre 16,00%, em Porto Alegre e 33,46%, em Fortaleza.
Fonte: Dieese – PB / Renato Silva