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Um homem foi baleado no antebraço e sua namorada, por pouco, não morreu em tentativa de latrocínio nesta quarta-feira 22 no Centro de Bauru, interior de São Paulo. O casal tinha acabado de sacar R$ 43 mil em uma agência bancária, na esquina da Agenor Meira com a Ezequiel Ramos, às 14h. Os criminosos fugiram sem o montante.
Em função do alto valor envolvido, a operação havia sido agendada previamente e o dinheiro foi entregue à cliente em uma sala reservada. Na saída do estabelecimento, já em seu carro, a mulher e o namorado foram abordados por dois indivíduos em uma moto.
O assalto foi anunciado enquanto o veículo das vítimas uma Duster estava parado no semáforo do cruzamento onde o banco está situado. No instante seguinte, aproveitando a abertura do farol, a condutora acelerou e fugiu, virando à esquerda, em sentido à Agenor.
Os assaltantes perseguiram o casal e efetuaram um disparo. A bala adentrou o carro pela janela esquerda do banco traseiro, raspou no encosto para a cabeça da motorista e atingiu o antebraço do passageiro.
Ainda não há notícias sobre a identidade ou paradeiro dos criminosos. Segundo o capitão Paulo Valentim, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, o homem baleado foi levado ao Pronto-Socorro Central (PSC) e recebeu alta cerca de uma hora depois.
Já a mulher, que dirigia o veículo, só se salvou porque, ao ouvir o disparo, agachou-se, desviando do curso da bala. Caso contrário, seria atingida na cabeça. Foi por obra divina, definiu o delegado Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Após a ocorrência, as vítimas foram acolhidas pelos bombeiros, já que os disparos ocorreram a duas quadras da sede da corporação.
SEM IMAGENS
Kleber Granja afirma que a Polícia Civil requereu imagens do circuito de câmeras da agênciabancária, mas foi informada de que eles não existem. Segundo o delegado, a tecnologia existente hoje possibilitaria que esse tipo de monitoramento auxiliasse as investigações de forma crucial.
O boletim de ocorrência do caso foi censurado. A vítima que dirigia o carro não quis conversar com a reportagem. O JC, no entanto, apurou que se trata de uma empresária que teria vindo do município de Arealva para efetuar o saque em Bauru.
Novo protocolo
Após a tentativa de latrocínio de ontem, o titular da DIG, Kleber Granja, anunciou que requererá ao comando da Polícia Civil autorização para mobilizar as instituições financeiras a adotarem protocolos de segurança mais rígidos a fim de evitar novos casos de saidinhas de bancos.
Ele explica que, em ocasiões anteriores, já propôs ações nesse sentido. Nas agências que tomaram essas providências, houve redução significativa de problemas. Os investimentos necessários são compatíveis aos rendimentos obtidos por essas instituições.
Segundo o delegado, uma alternativa é a implantação de salas intermediárias que blindem, por meio de tapumes, o contato visual de clientes e outras pessoas com os caixas.
A possibilidade mais enfatizada pelo delegado, no entanto, é a de que o delito esteja vinculado a uma quadrilha, que atua de forma organizada, valendo-se do acesso visual no interior da agência.
Em alguns bancos, é possível contar quantas notas em dinheiro o caixa entrega para o cliente. Nesse caso, especificamente, qualquer um sabe que o cliente que entra em uma sala reservada sai com quantias consideráveis. Faltam protocolos mais rígidos para garantir a segurança, avalia Kleber.
De acordo com o delegado, os grupos criminosos deixam um de seus membros no interior das agências, com a tarefa de selecionar potenciais vítimas e avisar os comparsas, utilizando-se de ferramentas como o WhatsApp.
O JC acionou a assessoria de imprensa do Bradesco, responsável pela agência onde o saque das vítimas foi efetuado. A instituição, porém, não comentou o caso.
Jornal da Cidade de Bauru