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Apenas faltou detalhar a qual espécie de agricultor o excelentíssimo fazia referência. Segundo levantamento do Jornal Brasil Econômico, o agronegócio é o setor que conta com maior poder de lobby dentro da Câmara Federal, com 230 parlamentares.
"Há 15 dias tínhamos melhor possibilidade de criar um texto que representasse um acordo entre todas as frentes, com diálogo entre governo, Câmara e sociedade. Agora, a base é a proposta apresentada pelo Aldo. Voltaremos à etapa zero", comentou a secretária de Meio Ambiente da CUT, Carmen Foro, presente no plenário.
Um grupo de trabalhadores da CUT, que desde o começo se posicionou contra o texto, incomodou os parlamentares durante a votação e mereceu diversas referências enquanto eles ocupavam a tribuna para tentar explicar a decisão que tomariam.
A preocupação agora é que as emendas prejudiquem ainda mais o que já é ruim. A primeira delas, a de número 164, sugerida pelo PMDB e aprovada pelos deputados por volta da meia-noite, anistia quem desmatou Áreas de Preservação Permanente (APPs) para utilizá-las como pasto e lavoura até julho de 2008 e delega aos Estados a decisão sobre os limites para cultivos desses territórios. Não há dúvida que o agronegócio terá muito mais facilidade para impor sua pressão do que se a definição ocorresse em âmbito federal.
O estrago foi tão grande que, por das 23h, o lidero do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP) pediu a palavra para transmitir um recado que disse ter sido passado pela presidenta Dilma Rousseff. "A presidente me pediu para dizer isto aqui: esta emenda é uma vergonha para o País."
Árduo caminho
A expectativa é que a votação fosse adiada novamente para permitir ampliar o debate com a sociedade. Diante do resultado, os movimentos sociais pressionarão agora o Senado para modificar pontos considerados prejudiciais à produção sustentável.
Um deles trata da anistia a pequenas propriedades de até 4 módulos fiscais que não mantiveram uma reserva legal de acordo com o Código vigente até julho de 2008. A proposta é alterar pequenas propriedades por agricultura familiar, já que cada Estado possui uma legislação diferente sobre o tamanho do módulo. Isso poderia beneficiar os latifundiários que, por sua vez, já costumam dividir a propriedade com base nesse parâmetro.
O projeto de Aldo permite ainda permite fazer a recomposição ambiental em uma área fora do Estado onde fica a propriedade e anula as multas dos proprietários que desmataram em áreas proibidas, mas integrem o Programa de Regularização Ambiental (PRA), conduzido pela União, pelos Estados e pelo Distrito Federal. Segundo o texto, também está liberada a plantação de espécies como cana e fumo em encostas e topos de morro, Áreas de Preservação Permanente.
A tarefa de modificar o projeto não deve ser fácil. De acordo com estudo do jornal Correio Braziliense, do total de congressistas da bancada ruralista, 18 foram multados pelo Ibama – 15 deputados e 3 senadores -, principalmente por desmatamento de reservas legais e áreas de preservação permanente. Todos seriam beneficiados pelas alterações no Código Florestal.
Fonte: Luiz Carvalho – CUT