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A redução do fluxo de crédito novo em julho foi concentrada nas operações com empresas, que tomaram nos bancos volume de recursos 6,9% inferior ao de junho, pelos números do BC. Com ajuste sazonal, também se verifica queda, mas de apenas 0,9%, destaca Andrade. Também no acumulado do ano (fluxo de julho ante o de dezembro), esses ajustes revelam variação negativa mais suave, de 2,2%, contra 10,9% de diminuição nominal.
Nas operações com pessoas físicas, o critério mais refinado de apuração sequer aponta queda. Ao contrário, indica que o volume tomado por essa clientela subiu 0,2% em julho, ao passo que a variação nominal foi negativa em 2,5%. Já no acumulado do ano até julho, o dado dessazonalizado mede aumento de 1,3%, inferior ao de 1,5% divulgado ontem pelo BC.
Em ambos os critérios, o levantamento diz respeito ao mesmo universo de operações olhado pelo BC para medir as taxas de juros, consideradas as que efetivamente se sujeitam às condições de mercado. O saldo das chamadas operações referenciais representa perto de 85% do estoque de crédito oriundo de recursos de livre aplicação e pouco mais da metade do estoque total de crédito do sistema financeiro, que inclui aplicações obrigatórias dos bancos.
Refletindo o menor volume de concessões, o saldo do crédito referencial subiu apenas 1,1%, para R$ 978,5 bilhões. Idêntica foi a taxa de expansão do saldo total de ativos de crédito do sistema, que fechou julho em R$ 1,854 trilhão e inclui aplicações obrigatórias. Os bancos públicos, que respondem por 42% dessa carteira, mais uma vez tiveram desempenho mais agressivo do que os privados e cresceram 1,4%, variação acima da média, portanto. A carteira do BNDES particularmente se destacou, com aumento de 1,7%.
Independentemente do critério de mensuração, o economista Alexandre Andrade acredita que a taxa de expansão do crédito em 2011 será efetivamente mais moderada do que a de 2010. O Banco Central projeta aumento nominal de 15% no saldo, ritmo inferior ao de 20,6% visto em 2010.
Mesmo que seja em termos reais mais lento do que parece, o ritmo de desaceleração visto até agora não compromete as expectativas de queda de inflação, acredita ele. Isso porque o crédito afeta mais a demanda por bens de consumo duráveis e não a demanda por serviços, cuja pressão sobre o IPCA tem sido maior. Assim, embora seja considerado, o crédito não ocupa mais o topo das preocupações do BC ao fazer o balanço de riscos para a inflação e definir a taxa básica de juro.
A expansão do crédito seguirá moderada, avalia Andrade, entre outros fatores pela conjuntura de crescimento econômico também menor, interno e mundial, e de juros ainda muito elevados. As medidas macroprudenciais tomadas pelo governo no fim do ano passado também ajudam a inibir qualquer retomada mais forte.
Por outro lado, tanto o aumento de juro quanto as medidas resultaram em nova elevação de inadimplência das operações com pessoas físicas, cuja taxa subiu de 6,4% em junho para 6,6% em julho, acumulando elevação de 0,9 ponto percentual sobre dezembro de 2010. A das empresas ficou estável em 3,8%, número, porém, ainda acima do de dezembro (3,5%).
O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, não vê nesses números motivo de preocupação. Ele acredita em acomodação e posterior queda em função da melhora de indicadores de emprego e renda. Alexandre Andrade concorda.
No caso das famílias, as medidas de desestímulo ao crédito do ano passado ajudaram a aumentar o índice de operações com pagamentos em atraso porque induziram tomadores a migrar de modalidades mais baratas, como crédito consignado e leasing, para outras mais caras, como crédito pessoal, destaca ainda o economista.
Os juros ao tomador final até caíram para esse segmento em julho, em 0,4 ponto percentual, na média, para 45,7% ao ano. Mas a média ainda supera a do fim de 2010 (40,6%). O custo do cheque especial, historicamente o mais alto, foi na contramão da média em julho e subiu 3,3 pontos percentuais, para 188% ao ano, a maior taxa desde abril de 1999.