O secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Mario Raia, entregou nesta quinta-feira (3) um manifesto na Elavon do Brasil contra a demissão de um funcionário do US Bank, Israel Aranda, que participa do Comitê por Melhores Bancos. A entidade de Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota, reúnem diversos atores da sociedade civil na busca por maneiras para os bancos tratar melhores clientes.

Apesar de no Brasil ser parceira do Citibank em uma joint venture de soluções de pagamentos eletrônico, o grupo Elavon Inc é uma subsidiária do banco americano nos Estados Unidos. A ação faz parte da campanha da aliança entre a Contraf-CUT, o Sindicato dos Bancários de São Paulo e a CWA (Comunicator Workers of America), o sindicato norte-americano de trabalhadores em comunicação, para pressionar o US Bank a não mais retaliar os funcionários que se expressem em questões trabalhistas e reintegrar Israel Aranda.

“”A falta de legislação trabalhista nacional prejudica a organização dos trabalhadores. As leis são locais e as empresas barram a ação sindical. Não podemos aceitar essa demissão, que é uma afronta a nossa tentativa de organizar os trabalhadores americanos”, explicou Mario Raia.

Em abril de 2015, Aranda participou, com representantes de várias organizações na área de Minneapolis, de uma reunião em que ele apresentou ao US Bank suas preocupações e ideias sobre como o banco poderia melhor servir a comunidade. Na reunião, ele levantou preocupações sobre as pressões que ele e outros funcionários do US Bank estão recebendo para atingir metas de vendas extremamente altas, em vez de satisfazer as necessidades dos clientes. O bancário também expressou sobre as medidas subjetivas de avaliação dos empregados que forçam os clientes a qualificar os funcionários com base na pregunta para saber se o empregado “o fez se sentir especial” durante a operação bancária. O grupo também apresentou um relatório que mostrou que cartões com altos juros são um dos vários produtos predadores que os funcionários dos maiores bancos nos EUA são obrigados a empurrar para os clientes comprarem.

O US Bank informou que iria acompanhar a questão. Em uma nova reunião, convocada pelo US Bank, Aranda novamente expressou preocupações sobre medidas de avaliação, metas de vendas excessivas e como estas impactam negativamente clientes . Segundo o ele, a reação da gestão do US Bank foi questionar agressivamente o seu desempenho, em vez de entrar em um diálogo para resolver a questão. Posteriormente, Aranda foi demitido.

Leia a carta na íntegra
Sr. Antonio Castilho
Elavon do Brasil Soluções de Pagamento
Rua Dr. Geraldo Campos Moreira, 240
São Paulo – SP BRASIL

02 de Setembro de 2015

A nossa organização, que representa 504.000 trabalhadores do Setor Financeiro brasileiro, escreve hoje para expressar a nossa preocupação sobre o comportamento das empresas de um dos parceiros estratégicos da Elavon do Brasil, o US Bank, um banco norte-americano do qual a Elavon Inc. é subsidiária.

Em 8 de julho, o US Bank demitiu o Sr. Israel Aranda de seu trabalho em uma agência do US Bank em Minneapolis, Minnesota. Mr. Aranda não recebeu nenhuma medida de disciplina progressiva, não foi autorizado a recorrer da decisão e foi informado de que era irreversível. Nós acreditamos que o Sr. Aranda foi demitido por participar do Comitê por Melhores Bancos, uma coalizão de organizações de trabalhadores e comunidade para promover mudanças positivas no setor bancário, e por expresar-se sobre medidas injustas de avaliação dos empregados e das metas excessivas de venda que impactam os funcionarios e clientes do banco.

Em abril de 2015, Mr. Aranda participou, com representantes de várias organizações na área de Minneapolis, de uma reunião em que ele apresentou ao US Bank suas preocupações e idéias sobre como o banco poderia melhor servir a comunidade. Na reunião Mr. Aranda levantou preocupações sobre as pressões que ele e outros funcionários do US Bank estão recebendo para atingir metas de vendas extremamente altas, em vez de satisfazer as necessidades dos clientes. Ele também expressou sobre as medidas subjetivas de avaliação dos empregados que forçam os clientes a qualificar os funcionários com base na pregunta para saber se o empregado “o fez se sentir especial” durante a operação bancária. O grupo também apresentou um relatório que mostrou que cartões com altos juros são um dos vários produtos predadores que os funcionários dos maiores bancos nos EUA são obrigados a empurrar para os clientes comprarem.

O US Bank informou que iria acompanhar a questão. Em uma nova reunião, convocada pelo US Bank, Mr. Aranda novamente expressou preocupações sobre medidas de avaliação, metas de vendas excessivas e como estas impactam negativamente clientes . Segundo o Sr. Aranda, a reação da gestão do US Bank foi questionar agressivamente o seu desempenho, em vez de entrar em um diálogo para resolver a questão. Posteriormente, o Sr. Aranda foi demitido.

Para nós, é reprovável que um empregado que se expressou sobre questões que afetam os empregados e os clientes foi abruptamente demitido. Esse tipo de ação arbitrária contra um trabalhador que participarou de atividades coletivas para resolver um problema de trabalho é contrário à tradição da Elavon do Brasil de respeitar a liberdade de associação, negociação colectiva e o diálogo social.

Por estas razões, pedimos que a Elavon do Brasil se comunique com US Bank para garantir que seu parceiro estratégico desista de retaliações contra funcionários que se expressam em questões trabalhistas e de corrigir o despedido sem justa causa de Mr. Aranda através do diálogo social que conduza sua reintegração no local de trabalho.

Atenciosamente,

ROBERTO ANTONIO VON DER OSTEN
Presidente

MARIO LUIZ RAIA
Secretário de Relações Internacionais

CC:
Simon Haslam, CEO Elavon
Richard K. Davis, US Bancorp CEO

Fonte: Contraf-CUT

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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