Getting your Trinity Audio player ready...
|

"O acordo de compensação de horas extras não está previsto na convenção coletiva dos bancários, nem no acordo aditivo do Santander, muito menos foi negociado com o movimento sindical", alerta o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.
O assunto já foi discutido na reunião do Comitê de Relações Trabalhistas, ocorrida no dia 25 de novembro do ano passado, em São Paulo. Na ocasião, a Contraf-CUT, sindicatos e federações de bancários reivindicaram o pagamento das horas extras realizadas para todos os trabalhadores.
O Santander, porém, não aceitou e defendeu a compensação. Segundo registro em ata, "o banco informou que, conforme política vigente de ponto eletrônico, as horas não compensadas durante a semana poderão ser compensadas dentro do próprio mês de sua realização, com acréscimo de 50%, através de folgas concedidas de forma planejada entre o gestor e o funcionário. O banco se compromete a fazer orientação nesse sentido".
Entretanto, as entidades sindicais não foram comunicadas de qualquer medida orientando o planejamento entre gestores e funcionários para a compensação de horas extras.
Diante das denúncias, a Contraf-CUT entrou em contato com o Santander. "Manifestamos a contrariedade das entidades sindicais com a pressão exercida sobre os trabalhadores para assinar um acordo individual de compensação de horas extras e reivindicamos a suspensão imediata do processo de coleta de assinaturas", destaca Ademir. "O acordo é unilateral, leonino e atende os interesses do banco", aponta.
Mas o banco não aceitou a proposta de suspender o acordo e ainda disse que os funcionários que não quiserem assinar o documento deixarão de ser convocados para fazer novas horas extras.
"Trata-se de um constrangimento inaceitável do banco que deve ser denunciado pelos trabalhadores aos sindicatos. Ao invés de exercer pressão, o Santander deveria dialogar com o movimento sindical para discutir o assunto", propõe o secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Plínio Pavão.
A assessora jurídica da Contraf-CUT, Deborah Blanco, esclarece que "a habitualidade na prorrogação da jornada de trabalho descaracteriza qualquer acordo individual de compensação de horas extras, anulando os efeitos do presente instrumento".
A pressão do banco é um desrespeito aos trabalhadores, principais responsáveis pelo lucro de R$ 7,3 bilhões em 2010 no Brasil, crescimento de 34% em relação a 2009 quando obteve R$ 5,508 bilhões. "Sem valorizar os funcionários, o Santander não se tornará a melhor empresa para se trabalhar, como vive prometendo", conclui Ademir.
Fonte: Contraf-CUT