Ex-funcionária de terceirizada diz que empresa é armadilha

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Trabalhadora relata precariedade das condições impostas pela Brink’s, que presta serviço para o Bradesco – (São Paulo) Abuso de poder, clima de carceragem e exploração no local de trabalho. Esse é o quadro descrito sobre a Brink’s por uma empregada da terceirizada contratada pelo Bradesco.

Com 57 anos, ela diz se envergonhar de situações que presenciou. Diante da idade desvalorizada pelo mercado de trabalho, a trabalhadora viu-se forçada a aceitar esse emprego no qual permaneceu por um ano e dois meses e conta que o quadro funcional é formado por pessoas mais velhas como ela, não contratadas por outras firmas, e pelos menos favorecidos, com baixa escolaridade e graves problemas na família. “A maioria dos meus colegas na Brink’s mora nos extremos da cidade, não tem a mínima conscientização de seus direitos, não se dá conta do quanto é explorada”, diz. As condições na Brink’s foram enfrentadas também na Fidelity, onde esteve por sete meses.

Segundo ela, a encarregada do setor de conferência, onde trabalhava na Brink´s, passava pelos corredores humilhando os empregados. “Empresa desse tipo é uma armadilha contra o ser humano. Você passa na seleção, faz um treinamento onde é muito bem tratado. Depois, você encara a realidade e é obrigado a trabalhar até de madrugada e ir embora em um táxi pago pela empresa que coloca até oito pessoas dentro de um veículo”, relata.

“Acreditamos que nossa empresa (Brink´s e suas subsidiárias) desfruta de uma reputação da qual todos nós podemos sentir orgulho.” A frase, que está no código de ética da terceirizada do Bradesco, não condiz com a realidade relatada pela trabalhadora que é, via de regra, o que se encontra nas empresas terceirizadas de forma geral.

Reação – Cansada de injustiças, após presenciar uma outra senhora sendo humilhada até não agüentar e pedir demissão, ela procurou o Sindicato. “Eu acredito que o sindicalismo é uma forma de conscientizar a população e agregar valores para o ser humano, sobre seus direitos”, diz a trabalhadora. Após o contato com um representante da entidade, uma reunião foi feita com a supervisão do departamento com o objetivo de humanizar o tratamento dos trabalhadores.

“Buscamos representar todos os trabalhadores ligados ao setor financeiro”, afirma a diretora do Sindicato Ana Tércia Sanches. “São milhares de explorados por essas empresas mantidas pelos bancos, fazendo trabalho eminentemente bancário, mas fora das agências e departamentos. Lutamos para efetivar a questão da co-responsabilidade dos bancos com esses trabalhadores que pertencem ao ramo financeiro assim como os bancários. Só assim esse quadro pode mudar”, completa.

Fonte: Gisele Coutinho / Seeb-SP

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