Dentro do processo de internacionalização do mercado brasileiro, o HSBC está lançando hoje para seus clientes de alta renda um fundo de investimento em ações de empresas asiáticas, exceto Japão.
 

O fundo, batizado de HSBC FIA Asia ex-Japan, tem aplicação mínima de R$ 1 milhão, mas investidores que já tiverem essa quantia em outros fundos da casa poderão entrar com R$ 50 mil, explica Andrea Moufarrege, diretora de Aconselhamento de Gestão de Riqueza do HSBC Private Bank.

O fundo vai proporcionar ao investidor brasileiro uma opção de diversificação de investimentos com o acesso direto ao mercado asiático, afirma Andrea. "A questão da diversificação internacional é um ponto importante quando se fala de uma carteira de ativos líquidos", lembra ela.

O brasileiro, desde a desregulamentação cambial nos anos 90, já podia acessar o mercado externo, mas de uma maneira trabalhosa, mandando os recursos para fora primeiro e, depois, montando estruturas para cuidar do dinheiro. Agora, com os fundos para superqualificados, que podem aplicar 100% dos ativos lá fora em troca de um investimento acima de R$ 1 milhão, isso ficou mais fácil.

E quando se analisam as alternativas que agregam valor para o brasileiro, a mais óbvia seria a do mercado asiático, afirma Andrea. Segundo ela, a região tem um potencial de retorno compatível com o desejado pelos brasileiros e riscos diversificados. "E o aplicador usa a experiência e a presença forte que o HSBC tem na Ásia", lembra.

A proposta do fundo é não concentrar suas aplicações em um único país. O Japão já foi excluído antes mesmo do terremoto, pelo seu menor nível de retorno esperado em relação aos demais países da região asiática, que têm taxas de crescimento mais aceleradas.

A carteira vai fortalecer a integração com outros mercados e praças onde o banco tem forte presença e o foco nos mercados emergentes, avalia Flávio Arruda, diretor de Produtos da HSBC Global Asset Management. "E assim como temos um fundo Brasil lá nesses mercados, podemos ter um deles aqui", diz.

O fundo local aplicará em outro no exterior, em dólar, mas para eliminar o risco cambial fará hedge no mercado futuro. "Com isso, o investidor terá o ganho ou a perda apenas da oscilação da bolsa, independentemente da moeda americana", diz Arruda. Para fazer esse hedge, o fundo local aplicará 10% dos recursos em títulos públicos, para cobrir as margens na BM&FBovespa.

Os recursos serão aplicados lá fora no fundo HSBC GIF Asia Ex-Japan Equity Fund, uma carteira global diversificada de ações da região que tem um patrimônio de US$ 800 milhões. Registrado em Luxemburgo, mas administrado pela equipe do banco em Hong Kong, o fundo tem ações da China, Coreia do Sul e Taiwan. "No futuro, a carteira local poderá aplicar em outros fundos específicos da região, como de pequenas empresas ou dividendos", afirma Arruda.

O referencial do HSBC GIF é o índice MSCI Asia ex-Japan, que reúne os papéis mais líquidos de cada país e inclui também Índia e Hong Kong, Indonésia e Cingapura. "Mas a China tem o maior peso no fundo, com 26,11% em dezembro, em linha com o índice, seguida de Coreia, com 25,30%, um pouco acima do índice", afirma Arruda.

Os principais setores da carteira são financeiro, com 25%, e indústria (incluindo automóveis), com 19%. Em seguida, aparece o setor de tecnologia (com empresas de telecomunicações), cujo peso é de 16%. No ano passado, o fundo do HSBC rendeu 21%, enquanto o Ibovespa ficou perto de zero.

O potencial da carteira no longo prazo é interessante, afirma Andrea. "Quando olhamos a relação entre o preço das ações e o lucro projetado para as empresas do MSCI Asia ex-Japão, vemos que ela estava em 15 vezes no fim do ano passado, número considerado atrativo, e que deve ter caído ainda mais neste início de ano", afirma a executiva do HSBC. A relação preço/lucro dá uma ideia de em quantos anos o investidor pode ter o retorno do valor aplicado.

A estimativa do HSBC é de que o mercado asiático tenha um retorno este ano entre 15% e 20% em dólar, afirma Andrea. O P/L do Brasil, por sua vez, está em torno de 12 vezes, o que representaria um potencial de retorno maior. "Mas o mercado asiático é uma opção de diversificação para o brasileiro, hoje concentrado em Ibovespa", afirma Andrea.

O HSBC espera captar R$ 100 milhões com a nova carteira em um ano. "Ela deve ser um piloto para outras carteiras internacionais, que usarão nossa grande experiência em emergentes", diz. O fundo terá cotas diárias, mas por ter de aplicar no outro fundo no exterior só permitirá resgates uma vez por semana, às segundas-feiras. Quem pedir resgate receberá na terça-feira da semana seguinte. A taxa de administração é de 2,25% ao ano.

Fonte: Valor Econômico /  Angelo Pavini

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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