Ministério do Trabalho fixa nova regulamentação para registro de sindicatos

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Crédito: Seeb Rio
Seeb Rio
Luís Viégas e Rosalba Batista, amigo e esposa de Pererinha

O lançamento do livro “Vitórias e derrotas, memórias de um sindicalista”, com as memórias escritas por Antônio Pereira da Silva Filho, o Pereirinha, bancário do Boavista e dirigente sindical, realizado na quinta-feira, dia 28 de fevereiro, no auditório do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, foi marcado pela emoção.

Um dos debatedores, Luís Viegas da Motta, ex-dirigente do Sindicato, contou que o autor do livro criou consciência política através da vida sindical. Em seu discurso, ele fez uma retrospectiva do movimento sindical bancário.

Almir Aguiar e Adriana Nalesso, presidente e vice do Sindicato, respectivamente, destacaram a importância do livro e do valor histórico do passado para a realidade presente e os projetos futuros do movimento sindical.

Uma aula de história

Viegas deu uma aula de história ao falar da importância dos movimentos anarquistas e comunistas na origem do movimento sindical no Brasil até o que considera o auge do sindicalismo, na década de 60.

O sindicalista, funcionário do Banco do Brasil, demitido da empresa e exilado após o golpe militar de 64, relatou também as intervenções e a repressão contra os sindicatos no governo Vargas, com a instauração do Estado Novo, a partir de 1937 e durante a ditadura militar, após o golpe de 1964.

Destacou a tendência da categoria em criar organizações em nível nacional, desde a fundação da Federação Nacional dos Bancários, em 1937, e as greves históricas como a de 1946, que durou 19 dias e teve a participação de bancários de todo o país, garantindo um reajuste de 100% nos salários da categoria. Viegas disse que o livro relata a vida sindical após 1950, ano em que Pereirinha começa a atuar na vida política e sindical.

Confessou que uma de suas maiores satisfações na vida foi ver o novo Departamento de Aposentados e o Centro de Memória do Sindicato dos Bancários do Rio. Ele agradeceu à diretoria do Sindicato e ao diretor da entidade Renato Lima por ajudar na preservação da memória e da história da entidade, um sonho de décadas. Ao final de sua palestra, ele foi aplaudido de pé pela plateia.

A família

Rosalba Batista da Silva, viúva de Pereirinha, destacou a importância do movimento sindical na vida de seu marido. “Ele foi ‘construído’ dentro do Sindicato, daí o fato de o poema Operário em Construção, de Vinícius de Moraes, abrir o livro”, relata.

Ela conta que, já na época, o autor revelava sua preocupação com a precarização do trabalho, através das terceirizações e do risco para a categoria que representava a automação nos bancos. Falou ainda da atuação política do sindicalista.

“Ele era getulista e adquiriu consciência política no Sindicato a ponto de ter participado da organização do Comício da Central do Brasil. Se as reformas de base de João Goulart tivessem sido implementadas, como a reforma agrária, o país não teria sofrido o êxodo do homem do campo e não teria os problemas da miséria e da violência nos grandes centros urbanos. Só há violência onde há injustiça social”, acrescentou.

Rosalba encerrou sua fala lembrando uma frase do educador e antropólogo Darcy Ribeiro para ilustrar a luta de Pereirinha e dos trabalhadores brasileiros: “Sempre lutei para melhorar o Brasil. Lutei para salvar os índios, lutei pela reforma agrária, lutei pela escola pública. Prefiro ser um derrotado desse lado a ser um vitorioso do lado de quem persegue o índio.”

Antônio Neto, filho de Pereirinha, ficou emocionado ao lembrar de duas lutas do pai: na política e pela vida, contra o câncer.

Fonte: Seeb Rio

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