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“Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omerta petista”, disse o procurador Paulo Roberto Galvão a seus colegas num grupo de mensagens do aplicativo Telegram, em 25 de setembro do ano passado, tratando Moro pelo apelido adotado pelos procuradores e associando os petistas à omertà, o código de honra dos mafiosos italianos.
Com a história nas mãos, a imprensa fez sua parte. A Folha lembra que, naquele 1º de outubro, uma segunda-feira, o Jornal Nacional da TV Globo dedicou nove minutos de cobertura ao assunto, criminalizando mais uma vez Lula, o PT e o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que então coordenava a campanha do petista Fernando Haddad à presidência.
No dia seguinte, a delação estava estampada nas manchetes nos maiores jornais impressos do país, entre eles a própria Folha. O episódio também foi amplamente explorado contra Haddad nos últimos programas eleitorais de seus adversários.
Bolsonaro venceria as eleições, no segundo turno, e um de seus primeiros atos foi convidar Moro para ser Ministro da Justiça. Duas semanas depois, o TRF-4 soltou Palocci.
Com o Supremo, com tudo
No despacho em que anexa a delação de Palocci ao processo da Odebrecht, Moro argumenta que tal medida era necessária para que os envolvidos pudessem se defender. Porém, no mesmo documento ele afirma que, na hora da sentença, iria considera apenas um depoimento anterior de Palocci, prestado em 2017 na presença do juiz, do Ministério Público e de seus advogados.
A ressalva de moro remete ao centro de outra grave questão envolvendo a delação de Palocci: ela não foi feita ao MPF, como manda a lei, mas à Polícia Federal, sem a presença dos procuradores. Os advogados do ex-ministro teriam recorrido à PF porque não conseguiam chegar a um acordo com a Procuradoria-Geral da República e a Lava Jato, que consideravam que suas denúncias nada acrescentavam.