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Manifestação na orla de Copacabana defendeu criminalização da homofobia
Milhares de pessoas lotaram a orla de Copacabana no domingo (18) na 17ª Parada do Orgulho LGBT – Rio 2012. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, ao lado de familiares e amigos, protestaram contra a violência relacionada à orientação sexual do indivíduo e reivindicaram direitos civis, na capital fluminense.
"Não quero que nenhum tipo de violência atinja meu filho e mais ninguém", disse Kelly Bandeira, uma das mães. "Meu filho é gay e sei que, como as coisas estão, ele pode sofrer com insultos, xingamentos e até com morte. Muitos pagaram com a vida", declarou.
"Lutamos para que a homofobia seja criminalizada, punida como crime de ódio, para que, se algo acontecer, que exista uma lei para culpar os homofóbicos", acrescentou Mirna Gonçalves, destacando que a dor de perder um filho independe de orientação sexual dele.
Indiferente ao sol forte na orla, pessoas com fantasias e muitas maquiagem também chamavam atenção. Entre elas, o professor e ativista Léo Rosseti, que para pedir o direito ao casamento civil, estava vestido de noiva, assim como seu companheiro.
"Estamos buscando o direito ao casamento civil igualitário. Para união civil é preciso abrir processo no cartório, ao passo que um heterossexual, chega em qualquer instância e, simplesmente, casa. A gente depende de uma decisão judicial", disse.
A manifestação também reuniu, pela primeira vez, grupo declaradamente evangélico. Com faixas, cartazes e camisetas, cerca de 150 jovens de Brasília, de Campo Grande, de São Paulo e do Rio, ofereceram abraços como forma de prestar apoio aos LGBT. De várias igrejas neopentecostais, eles se organizaram pelas redes sociais.
"Estamos distribuindo abraços grátis e dizendo que Jesus ama a todos", explicou um dos organizadores, Thiago Amaral. "Não concordamos com o pecado, a gente conhece a Bíblia, mas não viemos para falar que vão para o inferno. Não concordamos com a prática, mas não vamos discriminar. Jesus os amaria se estivesse entre nós", declarou.
Para a organização não governamental Grupo Arco Íris de Cidadania LGBT, organizadora da manifestação, a parada é uma momento político de afirmação e é um dos poucos momentos do ano em que os LGBT "podem sair do armário".
"Hoje a homofobia é reproduzida no ambiente familiar, na escola, no trabalho, na igreja, sabemos disso", disse o presidente da ONG, Julio Moreira "É preciso um trabalho de educação com a sociedade, para que as pessoas entendam que a diversidade está aí", completou.
Fonte: Agência Brasil