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Crédito: Seeb Rio de Janeiro
Bancários recordaram ex-presidente do Sindicato morto no regime militar
Uma grande passeata percorreu a Avenida Rio Branco, da Candelária à Cinelândia, na terça-feira, 1º de abril, no centro do Rio de Janeiro, para “descomemorar” os 50 anos do golpe civil-militar de 1964, completados na mesma data. O protesto foi organizado pelas centrais sindicais, partidos de esquerda, entidades estudantis e sindicatos, entre eles o dos bancários.
Faixas, cartazes e palavras de ordem lembraram do retrocesso que a ditadura trouxe para o país, impedindo avanços políticos e econômicos, como a implantação de reformas que trariam melhorias sociais e o fortalecimento da economia. Entre elas, a reforma agrária, a redução da remessa de lucros das multinacionais para o exterior e pesados investimentos em educação, saúde e infraestrutura.
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Essas iniciativas eram defendidas pelos trabalhadores e seriam postas em prática pelo presidente João Goulart. Por contrariar interesses poderosos internamente e dos Estados Unidos, Goulart foi derrubado pelos militares, com o apoio de partidos de direita, empresários, banqueiros e da mídia, principalmente das Organizações Globo, e dos norte-americanos.
Luta pela democracia
Nos vários discursos feitos durante a manifestação foram lembrados os horrores da ditadura, que reprimiu violentamente, torturou e matou dirigentes de organizações de esquerda, como sindicatos, entidades estudantis e parlamentares de oposição ao regime.
Pouco antes do início da passeata, ainda na Candelária, os oradores que se sucediam lembravam aqueles que morreram lutando contra a ditadura, entre eles o ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Aluísio Palhano, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), morto no DOI-Codi de São Paulo, em 1971.
O presidente do Sindicato, Almir Aguiar, pediu um minuto de silêncio em homenagem a estes heróis que pagaram com a própria vida para que voltássemos ao regime democrático.
Almir acrescentou, no entanto, que a democracia ainda tem muito que se fortalecer e avançar. “A juventude negra continua sendo assassinada em massa nas comunidades pela mesma polícia militar que ataca manifestações. Isso tem que acabar. Além disso, é necessária uma maior distribuição de renda que acabe de uma vez por todas com a pobreza”, defendeu.
Ele criticou a mídia por esconder os avanços conquistados nos 12 anos de governos de Lula e Dilma, a mesma mídia que defendeu o golpe.
A vice-presidente do Sindicato, Adriana Nalesso, destacou a importância de estarmos nas ruas, sempre, lembrando o golpe militar e os 21 anos de ditadura. “Foram longos anos de direitos políticos suspensos, prisões arbitrárias, sem eleições. E se hoje podemos protestar nas ruas, votar, devemos isto a centenas de companheiros que morreram na luta nos anos mais duros do regime militar”, afirmou.
Arquivos da ditadura
O presidente da CUT do Rio de Janeiro, o bancário Darby Igayara, defendeu a abertura dos arquivos da ditadura. “A Comissão Nacional da Verdade tem que ter acesso a estas informações sobre desaparecidos políticos, sobre as circustâncias das mortes de militantes de esquerda nos 21 anos do regime militar. Isto é fundamental para fortalecer a democracia no Brasil”, afirmou, referindo-se à resistência militar à liberação destas informações.
O deputado Robson Leite (PT) também defendeu que, a exemplo de países como a Argentina e o Chile, sejam julgados e condenados aqueles que torturaram e mataram nos chamados anos de chumbo. Ele defendeu, ainda, a desmilitarização da polícia, o fim da impunidade, e uma reforma política que acabe com o financiamento privado das campanhas eleitorais.
Para ele, essas são algumas propostas que precisam ser colocadas em prática para fortalecer a democracia. “Temos sempre que repetir ‘ditadura nunca mais’, mas também lutarmos por avanços no sistema democrático”, afirmou.
Fonte: Seeb Rio de Janeiro