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Ângela Carneiro Araújo, da Unicamp, fala sobre discriminação nos bancos
Os cerca de 700 delegados e observadores bancários começaram o primeiro dia da 12ª Conferência Nacional dos Bancários com debate a respeito dos números relativos a emprego na categoria e a discriminação no mercado de trabalho.
Ao longo desses 15 anos, muita coisa mudou. Em 1995, cerca de 45% dos trabalhadores de estabelecimentos bancários tinham 10 anos ou mais tempo de casa. Já em 2008, esse percentual caiu para 29%. A jornada de 30 horas está cedendo cada vez mais para a de 40: 65% dos trabalhadores cumpriam a menor jornada na década de 1990, contra 46% atualmente. A pesquisa também registrou o aumento no nível de escolaridade e de contratação de mulheres, que cresceu consideravelmente.
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Em consulta mais recente, o Dieese constatou que o emprego bancário voltou a crescer em 2010, depois de estagnação percebida em 2009. No período de janeiro a março deste ano, foram registradas 11.053 mil admissões e 8.213 mil desligamentos, um saldo positivo de 2.840 novos postos de trabalho.
A maioria dos admitidos foram pessoas de até 30 anos, para a função de escriturário (5.946 vagas), com remuneração inicial entre 2 a 3 salários mínimos. Sobre os demitidos, a maior parte são homens, ocupando cargos gerenciais, com remuneração acima de 4 salários mínimos e nível superior completo. A maior parte das demissões (47,6%) foi sem justa causa, seguida de perto (43,88%) por demissões a pedido do trabalhador.
Embora o número de mulheres e homens admitidos esteja bem equilibrado (50,3% e 49,7%, respectivamente), a remuneração inicial é visivelmente inferior para as trabalhadoras: R$ 1.770,00 contra R$ 2.600 dos bancários. Ou seja, não houve redução nas desigualdades de gênero.
A segunda parte do painel sobre emprego foi apresentado pela professora da Unicamp Ângela Maria Carneiro Araújo, que apresentou mais dados sobre a discriminação de gênero e raça. "Hoje em dia há mais homens em cargos de chefia, enquanto as mulheres ficam em funções inferiores, sofrendo assédio moral e pressão", afirma. No que diz respeito à ascensão na carreira, as mulheres sofrem mais ainda do que negros, segundo a professora."A ascensão das mulheres na hierarquia dos bancos é limitada. Ela chega até a gerente das agências, mas depois são poucas as que passam disso", diz.
> Clique aqui para acessar a apresentação feita pela professora da Unicamp
Em sua exposição, Ângela ressaltou a extrema importância da luta sindical contra as barreiras da discriminação de mulheres e negros, ainda hoje impregnadas nas empresas do sistema financeiro brasileiro.
"É inadmissível compactuarmos, em pleno século 21, com um sistema que discrimina. O avanço tem que passar pela ideia de que os sindicatos não toleram mais qualquer tipo de discriminação. Este é um forte desafio. É imprescindível rompermos o ‘telhado de vidro’ pelo respeito à diversidade, pelo fim das barreiras de entrada que alimentam a discriminação de mulheres, negros e negras e deficientes físicos", destaca Ângela.
Segundo a professora, o nível de desigualdade é brutal na categoria. A presença de mulheres é de 47%, mas apenas 5 a 10% ocupam cargos superiores.
A transformação do trabalho bancário se dá pela reestruturação do capitalismo. "Esta transformação foi muito rápida. Os bancos deixaram de ser movidos pelo trabalho bancário com a crescente informatização", ressalta Ângela. Outro impacto foi a mudança no trabalho da categoria, que passa a ser quantitativo. Os bancários são transformados em vendedores de produtos, com exigência de novas qualificações, cobranças por metas abusivas e com o incentivo a competição entre os trabalhadores.
Fonte: Clara Quintela e Soraya Paladini / Rede de Comunicação dos Bancários