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Em entrevista ao Estado, o subsecretário substituto de Fiscalização da Receita, Iágaro Jung Martins, informou que os fiscais vão verificar, principalmente, se na outra ponta das operações em câmbio quem registrou o ganho foi uma instituição do mesmo conglomerado econômico ou de um País que é considerado paraíso fiscal pela legislação brasileira.
Martins explicou que a coleta de indícios de irregularidades está sendo feita com auxílio dos dados obtidos com Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimorf) de operações cambiais, que passou a ser exigida dos bancos em 2011.
"Temos agora um ano inteiro de informações da Dimorf de operações com câmbio", disse Martins. Essa declaração permite o cruzamento de informações relativas às aquisições, conversões de moeda estrangeira em moeda nacional e transferências para o exterior.
Autuações
O subsecretário antecipou que as atuações da Receita no setor financeiro no primeiro semestre somaram R$ 6,04 bilhões e atingiram 139 empresas. Atualmente, informou ele, a Receita está realizando 1.375 procedimentos fiscais em instituições financeiras, com autos de infração parciais de R$ 3,4 bilhões.
A Receita projeta um aumento de 20% das atuações em 2012 em relação ao ano passado, quando atingiram R$ 11,62 bilhões. A maior parte dos autos – cerca de 65% – é concentrada nos últimos três meses do ano. Os dados completos do balanço das autuações no primeiro semestre serão divulgados pela Receita em breve.
Segundo o subsecretário, a Receita vem conseguindo aumentar a detecção de supostas irregularidades depois que passou a utilizar, em 2010, novas ferramentas de análise das 70 milhões de informações que dispõe para cruzar os dados. De lá para cá, as autuações duplicaram, embora o número de instituições autuadas seja menor. É que a ação está menos pulverizada.
Cofins e PIS
O maior foco da fiscalização este ano refere-se à base de cálculo do PIS e da Cofins. As instituições financeiras só incluem na base de cálculo as receitas de tarifas, enquanto o Fisco exige o recolhimento dos tributos também sobre a receita de intermediação financeira, ou seja, do ganho da diferença entre a taxa de captação do banco e do empréstimo ao seu cliente – o chamado spread. Segundo Martins, essa prática tem sido comum nos bancos. A Receita já autuou esse ano R$ 4,27 bilhões nestes casos do PIS e Cofins, mais do que o dobro dos R$ 2,04 bilhões de todo o ano passado.
"O negócio do banco não é apenas a taxa cobrada, mas também o spread", disse. A legalidade da cobrança do PIS e Cofins sobre a intermediação financeira está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a Receita tem feito as autuações porque está segura da vitória na Justiça.
A Receita também aumentou a fiscalização nos pagamentos recebidos por administradores e dirigentes de instituições financeiras referentes à participação no lucro e resultados. O entendimento da Receita é de que os bancos não podem fazer vários pagamentos ao ano a título de participação dos lucros porque se configuram, na prática, em salários.
A sistemática é disseminada no mercado e resulta no pagamento menor do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e das contribuições previdenciárias.
Fonte: O Estado de S.Paulo