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O pico dos casos foi em maio, com 115 ocorrências em DPs paulistas. No mês seguinte, houve queda para 48 ataques. Segundo especialistas, as causas foram o aumento do policiamento nas grandes cidades, a prisão de quadrilhas e o uso do mecanismo de tingimento das notas em explosões.
Mas, de lá para cá, o interior se descolou do restante do Estado e viu a taxa voltar a crescer, enquanto na capital os números seguiram a tendência de queda. "Quando você dificulta a atuação das quadrilhas em uma região, logo elas começam a atuar em outras áreas", explica o diretor técnico da Febraban, Wilson Gutierrez.
Transição
O deslocamento do crime para o interior é um fenômeno conhecido da polícia. "As oportunidades e fragilidades, além da repressão policial na capital, podem explicar esse movimento dos criminosos", afirmou o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima. "Nossas investigações mostram que em um raio de até 100 quilômetros da capital quem age são quadrilhas da cidade de São Paulo."
Esse movimento foi flagrado pela polícia na quinta-feira. Sete bandidos foram presos em Guarulhos, na Grande São Paulo, quando se preparavam para viajar até São Sebastião, no litoral norte, onde pretendiam roubar caixas. Outros quatro foram presos mais tarde. O bando seria responsável por pelo menos dez ataques nos últimos dois meses – cada crime rendeu em média R$ 100 mil aos ladrões.
O número de policiais militares suspeitos de participar de quadrilhas responsáveis por furtos e roubos a caixas eletrônicos em São Paulo seria suficiente para formar uma companhia inteira. Na manhã de ontem, mais quatro foram presos pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) durante a Operação Caixa Preta.
As apurações mostram a conivência de PMs responsáveis pelo patrulhamento com os ladrões. "Vamos desbaratar os principais grupos que atuam no roubo e furto de caixas eletrônicos em São Paulo", disse o delegado Nelson Silveira Guimarães, diretor do Deic. Além dos PMs, outras 35 pessoas foram presas pelo Deic.
Fonte: O Estado de São Paulo