O Santander Espanha negocia a venda de uma parte minoritária do seu negócio de gestão de ativos de terceiros pelo mundo para fundos da General Atlantic e da Warburg Pincus, duas tradicionais gestoras americanas de “private equity”.

Com 11 unidades espalhadas por diversos países, a Santander Asset Management tem 116 bilhões de euros (R$ 307,9 bilhões) sob seus cuidados. Só no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o Santander tem R$ 122,2 bilhões de ativos sob gestão, o que faz dele o sexto maior gestor do país.

Com a venda de uma parte do negócio de gestão de fundos, o Santander Espanha atinge dois objetivos. Um deles é levantar capital, fortalecendo seu negócio bancário. Mas não é só isso.

A ideia é que a segregação do negócio de gestão de ativos em uma nova empresa deve levar a uma expansão mais rápida do segmento pelo mundo.

Apesar de a gestora estar debaixo da estrutura da Santander Asset Management, a avaliação é que em cada país o negócio é tocado de forma praticamente independente, sem uma coordenação global. Com a chegada dos dois novos sócios, a gestora deve ganhar uma administração mais centralizada.

Como uma empresa segregada do banco, a visão também é que, até na hora de atrair executivos, a gestora encontre mais facilidade. Com “vida própria” também terá liberdade de adotar uma política de remuneração diferente daquela adotada pelo banco.

Com a futura expansão dos negócios, os fundos de private equity podem vender posteriormente suas participações acionárias por meio de uma oferta de ações. Isso abriria a possibilidade de o Santander também colocar no mercado mais um pedaço da gestora. Ou manter a participação em uma empresa que se tornou maior, que lhe renda mais dividendos.

As unidades de Brasil e México foram dois importantes ativos na definição da escolha de investimento das gestoras Warburg Pincus e General Atlantic, que têm US$ 40 bilhões e US$ 17 bilhões em ativos pelo mundo, respectivamente.

O potencial de crescimento da poupança dos dois países emergentes pesou na decisão de ambas as firmas, que devem ficar com uma fatia minoritária, mas relevante do negócio.

Nos últimos anos, para enfrentar problemas na casa matriz, o Santander Espanha tem vendido uma série de ativos pelo mundo. Em outubro de 2011, por exemplo, a própria Warburg Pincus se tornou sócia da unidade de consumo do Santander nos Estados Unidos por meio de um consórcio com outros fundos. A transação gerou um ganho de capital de US$ 1 bilhão para o Santander.

Em um outro negócio importante para o grupo espanhol, no ano passado, o Santander Espanha vendeu cerca de 25% da subsidiária mexicana em uma oferta de ações que rendeu US$ 4 bilhões.

Fonte: Valor Econômico

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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