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Parece cenário de filme apocalíptico, mas é apenas o retrato mais literal do desmonte promovido no Banco do Brasil. Uma agência na Rua Cardoso de Almeida, zona oeste de São Paulo, foi totalmente destruída após ficar meses abandonada, sem segurança ou manutenção.

A unidade foi fechada em fevereiro deste ano, assim como outras dezenas, na reestruturação imposta pelo BB. Dentro, ficaram documentos de clientes, móveis e toda a estrutura física da agência, que foi saqueada e depredada várias vezes desde o fechamento, já que ficou sem nenhuma vigilância.

O dirigente sindical e funcionário do BB, Paulo Rangel, esteve no local na quarta-feira 12, e constatou o abandono. Segundo ele, além do dano ao patrimônio de um banco público pelas depredações e a sobrecarga de trabalho aos bancários realocados para outras unidades, a imagem da instituição também fica comprometida.

“As pessoas passam, veem uma agência nesse estado e falam sobre o abandono, a forma como o governo federal vem tratando o banco público. É muito triste para um funcionário como eu ver essa situação”, lamentou Paulo.

Entre os danos provocados, está a perda de documentos e arquivos de clientes da unidade, outro reflexo do descaso do BB para com as retaguardas das agências. “Esse trabalho está sendo transferido para empresas terceirizadas, o que vem acarretando problemas, visto que a terceirização não precariza só as relações trabalhistas, mas a qualidade dos serviços”, critica o dirigente. A preocupação também é com o sigilo bancário das informações que estavam no local.

Providências
Depois de verificar a situação, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região irá encaminhar um protesto para a Superintendência do BB. No documento, também serão solicitados esclarecimentos sobre o abandono de agências e a sobrecarga dos trabalhadores de unidades próximas às que foram fechadas.

Para o dirigente sindical e integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, João Fukunaga, o abandono do prédio demonstra a lógica privatista de sucateamento das empresas públicas, com anuência do superintendente do banco, que não se preocupa com os funcionários e faz vista grossa para os problemas.

“Isso mostra uma Superintendência de gestão grotesca, baseada em ameaças, assédio moral e desrespeito aos normativos internos do banco. São esses gestores que o banco promove?”, questiona João.

Fonte: Seeb/SP