Segundo dia da XIV Conferência da Fetrafi/NE debate saúde mental, inteligência artificial, representatividade nos bancos públicos e os efeitos da bancarização digital no setor financeiro

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O segundo dia da XIV Conferência da Fetrafi/NE, realizado neste sábado, 2 de agosto, foi marcado por discussões profundas sobre os efeitos da bancarização digital e da inteligência artificial no setor financeiro, o agravamento do adoecimento mental entre os trabalhadores e a importância da representação sindical nos espaços institucionais dos bancos públicos. A delegação da Paraíba esteve presente e acompanhou atentamente todos os debates, reforçando o compromisso do Sindicato dos Bancários da Paraíba com a defesa dos direitos da categoria.

O dia começou com a discussão sobre a necessidade de eleger representantes comprometidos com os trabalhadores para os conselhos de administração das instituições financeiras públicas. A mesa destacou a importância de ocupar esses espaços com pessoas que defendam os interesses da classe trabalhadora e possam influenciar decisões estratégicas dentro dos bancos.

Na sequência, o painel sobre comunicação com a base sindical reforçou que a escuta ativa e o diálogo permanente com a categoria são essenciais para identificar e organizar as demandas prioritárias dos bancários e bancárias diante das constantes transformações do setor.

A segunda mesa, sobre inteligência artificial, trouxe uma perspectiva preocupante sobre o futuro do emprego no sistema financeiro. José Vital, da Frente IA com Direitos Sociais, alertou que cerca de 40% dos empregos no mundo poderão ser afetados ou extintos com o avanço das tecnologias de IA. Segundo ele, a categoria bancária está entre as mais vulneráveis aos impactos dessa transição.

O presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Lindonjhonson Almeida, destacou que a realidade imposta pela bancarização digital e a terceirização tem consequências concretas e dolorosas para os trabalhadores do setor.

“A terceirização e a digitalização acelerada provocam uma redução drástica de postos de trabalho no setor bancário, com impactos severos para os trabalhadores. O medo do desemprego, do subemprego e da erosão dos direitos trabalhistas gera um cenário constante de insegurança e sofrimento. Isso tem causado sérios problemas de saúde física e mental entre bancários e bancárias, que precisam ser enfrentados com urgência pelo movimento sindical”, afirmou Lindonjhonson.

A terceira mesa do dia, intitulada “Saúde Mental e Condições de Trabalho no Sistema Financeiro”, trouxe relatos contundentes de bancários e bancárias acometidos por transtornos como depressão, síndrome do pânico e ansiedade, desencadeados por metas abusivas, assédio moral e sobrecarga. Fabiano Moura apresentou o Dossiê sobre Assédio Moral e Adoecimento dos Bancários em Pernambuco e foi enfático: “A categoria bancária não está adoecendo, ela está adoecida”.

Encerrando a programação do dia, foram aprovadas três moções que expressam o posicionamento político e ético da conferência diante de temas nacionais e internacionais. “Aprovamos hoje três moções que demonstram o alinhamento do movimento sindical com a defesa da democracia, da justiça internacional e da dignidade dos trabalhadores”, destacou José Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará e membro do Conselho Deliberativo da Previ.

As moções aprovadas foram:

  1. Moção de apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelo julgamento realizado em favor da democracia, proposta por José Arimatea.
  2. Moção de repúdio ao genocídio praticado pelo Estado de Israel contra a população palestina no território de Gaza, também proposta por José Arimatea.
  3. Moção de repúdio ao teto de 6,5% de custeio imposto pela Caixa Econômica Federal ao Saúde Caixa, proposta por Joana Darc.

A conferência continua neste domingo, dia 3 de agosto. A consolidação das propostas debatidas ao longo dos três dias será realizada no encerramento do evento. A delegação que representará o Nordeste na 27ª Conferência Nacional dos Bancários foi eleita neste sábado, por unanimidade, em chapa construída por consenso entre os sindicatos presentes.

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