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Eram tempos de Estado Novo e de tutela do governo federal nos movimentos de trabalhadores. Por isso mesmo, o Sindicato tinha um caráter mais assistencialista e promovia festas e eventos culturais e desportivos. Ainda assim, o Sindicato teve participação ativa na luta pela regulamentação do salário mínimo para todos os trabalhadores e pela conquista da jornada de seis horas para os bancários.
Aos poucos, o perfil combativo e as lutas foram crescendo e o Sindicato já era referência nacional na década de 1950. É desta época a primeira grande greve nacional, que durou 40 dias. Em 1951, veio mais uma greve, que durou 69 dias e definiu o 28 de agosto como Dia dos Bancários.
Durante os primeiros anos da década de 1960, o Sindicato já realizava greves históricas. Em 1961, os bancários pararam tudo no Recife. Tanto que faltou troco na cidade. O grau de organização era tanto que o Sindicato fechava banco até por telefone.
Foi quando veio o golpe militar de 1964 e uma tropa do exército invadiu o prédio da entidade, que funcionava na Avenida Conde da Boa Vista. Houve quem escapasse pelo telhado. Alguns observaram à distância. Outros foram presos. E o impacto da intervenção na luta dos trabalhadores durou bem mais que os tempos de golpe.
A reconquista da democracia
Foi só em 1988 que, de fato, a democracia voltou a existir no Sindicato dos Bancários de Pernambuco. A luta pela reconquista da liberdade, entretanto, vem de muito antes. Já em 1979, a oposição estava organizada e atuante.
Mas as eleições sindicais, embora restabelecidas, eram fraudadas. Agentes do DOPs conviviam com os chamados dirigentes sindicais, dentro da estrutura física da entidade. Por outro lado, a oposição era maioria nas assembleias, que acabavam, muitas vezes, em agressões físicas. As eleições eram descaradamente fraudadas.
Mesmo assim, a oposição cresceu. Ainda mais com o movimento dos empregados da Caixa pela jornada de seis horas e pelo enquadramento deles na categoria bancária. E, em 1988, o MOB – Movimento de Oposição Bancária, reconquistou o comando da entidade. Os votos roubados não foram suficientes para reeleger os prepostos dos bancos.
A luta da oposição, no entanto, já começou difícil para as novas gestões, vinculadas à CUT – Central Única dos Trabalhadores. Internamente, era preciso lidar com as divergências e modificar a postura assistencialista, herança do golpe militar.
Na base, era preciso enfrentar uma década de privatizações, fusões, demissões, perda de direitos. A primeira batalha foi contra a privatização do Bandepe. Começou no início da década de 1990, quando demissões e fechamento de agências prepararam a venda do banco. E se arrastou de 1996 a 1998. Embora o Sindicato não tenha conseguido evitar a venda, a luta garantiu um dos melhores acordos para os empregados de bancos estaduais privatizados.
Para os trabalhadores de bancos privados, foram tempos de fusões, invasão de bancos estrangeiros, demissões. Para o pessoal dos bancos públicos, foram anos de perda de direitos, desestruturação de Planos de Cargos e Salários, Planos de Demissão Voluntária, transferências compulsórias, reajuste zero.
Ainda assim, os bancários conquistaram a Convenção Coletiva Nacional, em 1992. E o Sindicato viveu Campanhas Salariais participativas e greves longas, com desfechos que sempre eram remetidos para a Justiça do Trabalho, em prejuízo dos trabalhadores.
Anos 2000
E veio o dia 27 de outubro de 2002, quando 52,7 milhões de brasileiros elegeram como presidente do país Luiz Inácio Lula da Silva – nordestino, operário, sindicalista. Mas bastou a primeira Campanha Salarial para que os bancários percebessem que nada lhes seria devolvido de mão beijada.
Foi preciso brigar, e muito, para garantir que os bancos públicos aderissem à mesa única e seguissem a Convenção Coletiva Nacional. Mesmo assim, no princípio, algumas conquistas ficaram de fora.
Mas, ano após ano, os bancários conseguiram reorganizar o movimento e fazer campanhas cada vez mais participativas. E a opção pelas campanhas unificadas tem papel especial nesta história: Depois da unidade, iniciada em 2004, todos os bancários têm conquistado os mesmos reajustes, com aumento real todos os anos. E os empregados dos bancos públicos já recuperaram a maior parte dos direitos retirados pelos tucanos. Juntos, ficamos mais fortes.
Fonte: Seec Pernambuco