Trabalhadores na Mercedes entram em greve contra demissões no ABC

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Trabalhadores na Mercedes aprovaram greve por tempo indeterminado

Os trabalhadores da unidade da Mercedes-Benz em São Bernardo entraram em greve por tempo indeterminado na manhã desta quarta-feira (22/04). O motivo da paralisação é a demissão de 500 funcionários em regime de lay off (sistema que suspende temporariamente o contrato de trabalho) programada para o início de maio. Esses funcionários retornariam à fábrica no dia 30 de abril e a empresa justificou que o corte é devido à retração de 40% nas vendas de caminhões desde o início do ano.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, afirmou que a categoria irá lutar para reverter as demissões.

“A empresa está em reestruturação e qualquer negociação não é feita em curto prazo, mas acontece que estamos desde o início do ano sem uma saída justa junto com os executivos. Agora vamos paralisar e eu acho que a empresa duvida do poder da mobilização dos trabalhadores, por isso esta luta é muito importante para ajudar a fluir as negociações”, apontou.

O operador de máquinas, Marco Antônio Costa, 47 anos, que está em lay off desde julho do ano passado, aguarda indicações dos sindicalistas durante a semana para dar andamento à greve.

“Ficamos de mãos atadas sem saber quem será demitido, mas o importante é manter o movimento para salvar o próprio emprego e o dos colegas de trabalho”, afirmou o funcionário na empresa há 24 anos.

A multinacional alemã suspendeu o contrato de trabalho por cinco meses de aproximadamente mil funcionários em junho do ano passado. Em novembro ocorreu a renovação do lay off até o dia 30 de abril de 2015 de parte dos afastados, já que cerca de 250 foram demitidos pouco antes do Natal. Essa foi a terceira vez que a Mercedes utilizou tal mecanismo para adequar a mão de obra à produção. No segundo semestre de 2012 cerca de 1.500 trabalhadores ficaram em casa e depois voltaram aos postos de trabalho.

A Mercedes informou que os demitidos poderão aderir a um PDV (Programa de Demissão Voluntária). Os outros 250 que também estão afastados têm estabilidade e retornam as funções na data prevista. O pacote prevê o pagamento adicional de até nove salários. Para os sindicalistas essa quantia é baixa e pode não conseguir a adesão desejada pela empresa.

“Com este pacote de PDV muitos dos trabalhadores podem achar insuficiente para largar o emprego e isso tem que ser ajustado pela empresa caso queiram maior adesão e controlar os cerca de 1.200 trabalhadores excedentes que dizem que existe”, apontou o diretor do Sindicato, Moises Selerges.

Fonte: Iara Voros – ABCD Maior

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