Aos poucos o mercado de crédito começa a se aproximar dos níveis de crescimento pré-crise, mas o desempenho guarda diferenças de acordo com o grau de recuperação de cada Estado. Algumas regiões sofreram mais com a queda das exportações e da desaceleração da PIB, como São Paulo e Rio Grande de Sul. Já economias como a do Rio de Janeiro tem se beneficiado dos investimentos do setor petrolífero. Em comum, todos registram a forte retomada dos empréstimos para pessoas físicas, puxada pela manutenção do consumo.

O Ceará aparece na frente, de acordo com dados do Banco Central, com uma expansão da carteira de empréstimos da ordem de 30,6% nos últimos doze meses, encerrado em maio. Pernambuco (27,7%) e Bahia (25,2%) também estão acima da média brasileira, que é de 22% (menor que os 33,2% de 2008), em levantamento apresentado pelo diretor de Política Monetária do BC, Mário Mesquita, em evento realizado em Fortaleza.

Os números mostram que o Nordeste foi uma das regiões menos atingidas pela crise financeira internacional, mas, a exemplo da média nacional, a recuperação se mostra mais fraca nas liberações para empresas. O saldo das operações de empréstimos acima de R$ 5 mil atingiu R$ 128,5 bilhões em maio, sendo R$ 70,1 bilhões no segmento de pessoas jurídicas e R$ 58,4 bilhões para modalidades de pessoas físicas.

Em segundo lugar no ranking está o Rio de Janeiro, beneficiado por desembolsos do BNDES e pelo crescimento do setor de petróleo e gás. O Estado é um dos únicos que tem desempenho superior entre as empresas. O saldo dos financiamentos a pessoas físicas teve expansão 25,5% nos últimos doze meses, contra 30,9% das concessões para pessoas jurídicas (que representam 69,8% do total das operações de crédito).

Amazonas aparece em terceiro, com expansão de 28% nos últimos doze meses. Parte do comércio da região foi beneficiado com a redução temporária no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pela expansão das operações de crédito, segundo o relatório do Banco Central.

Por outro lado, o Rio Grande do Sul apresentou o pior desempenho do ano até maio, com avanço de 17,3% em doze meses do saldo de empréstimos. De acordo com o BC, as contratações de empréstimos por parte das empresas atingiram R$ 41,2 bilhões, registrando variações de -2,1% no trimestre e de 12,3% em doze meses. A autoridade destaca que houve reduções das operações contratadas pelas indústrias de máquinas e equipamentos, de refino de petróleo e química, mas também registrou aumentos nas relacionadas às indústrias extrativas e de moda – vestuário, acessórios, calçados e bolsas.

O BC também apontou que a evolução recente da economia da região tem sido caracterizada pela recuperação das atividades industrial e varejista, favorecidas tanto pelos estímulos das políticas fiscal e monetária quanto pelo efeito da estabilidade dos preços sobre a massa salarial real. "A demanda por crédito na região Sul está aquecida, especialmente nos setores da indústria e de infraestrutura. Os números apontam para a superação, já no primeiro semestre do ano, da meta anual, estabelecida em R$ 1,12 bilhão", afirma Mario Bernd, presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Vale destacar também a economia paulista, a segunda que menos demandou crédito. À parte seu estoque ser bem maior, na casa dos R$ 375 bilhões em maio, um terço de todo o crédito do país, seu crescimento nos últimos doze meses foi de 18,9%, puxando a média nacional para baixo. "A economia do Estado de São Paulo, após apresentar retração acentuada no período que sucedeu a intensificação da crise internacional, vem, impulsionada pelo maior dinamismo do setor automotivo e pelo processo de normalização das operações de crédito, registrando relativa recuperação nos últimos meses", diz o relatório do BC.

Todos os Estados apresentam boa retomada dos empréstimos ao consumo. O desempenho dos últimos dois meses elevou o otimismo da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), que subiu de 10% para 15% a expectativa de expansão do crédito para este ano. "Só não vamos crescer 20% porque até abril foi muito ruim", disse o presidente da instituição, Adalberto Savioli. Os destaques foram o crédito consignado e o financiamento imobiliário.

Fonte: Valor Econômico / Fernando Travaglini, de São Paulo

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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