O Grupo Santander Brasil, composto pelos bancos Real e Santander, concedeu R$ 7,1 bilhões em financiamentos imobiliários com recursos da poupança no ano passado. O volume representa um crescimento de 60% no período, elevando o saldo do grupo para R$ 11 bilhões em empréstimos.

As liberações superaram as expectativas da instituição. Foram destinados R$ 1,9 bilhão para financiamentos de pessoas físicas e R$ 5,2 bilhões para incorporadoras – o dobro do ano anterior – por meio do chamado Plano Empresário, que financia a obra até a entrega das chaves, com o pagamento podendo ser feito via repasse dos mutuários ao banco.

Além do resultado expressivo, o banco comemora a evolução do processo de integração das áreas dos dois bancos. As equipes do Real e do Santander foram unificadas sob a coordenação de José Roberto Machado Filho, diretor executivo do grupo. Oriundo do Real, Machado deixou em meados do ano passado o comando da tesouraria da instituição para assumir a área de crédito imobiliário.

O histórico profissional do novo diretor-executivo mostra que o Santander aposta em uma nova visão do mercado, com uma estrutura de captação baseada em novos produtos além da poupança. "O caminho que trouxe o mercado imobiliário até aqui não vai ser o mesmo no futuro", disse, citando a securitização como um dos modelos que podem ser adotados. "Estamos atentos e nos preparando para os anos que virão".

Dentro dessa nova estrutura, houve a separação entre a área de operações de pessoas jurídicas, já integrada entre os dois bancos, e a de pessoas físicas, que está dividida por conta das redes de varejo ainda não terem sido integradas. Há outra área exclusiva para administrar o funding, uma responsável por produtos e uma que cuida dos canais externos. Por fim, há uma divisão de planejamento de parcerias e a de operações.

Com esse novo desenho, o Santander pretende repetir neste ano o desempenho de 2008. "Se o mercado crescer, vamos crescer mais do que o mercado. Mas se repetirmos o volume de concessão já será um bom desempenho", afirmou o diretor-executivo.

No ano passado, as instituições que integram o sistema de poupança e empréstimos aumentaram em 56% o crédito com recursos da caderneta, atingindo cerca de R$ 30 bilhões. Foram financiadas perto de 300 mil unidades, superando a melhor marca anterior, de 267 mil, em 1981.

Ele ressalta, no entanto, que no último trimestre houve uma desaceleração da demanda por novos negócios. Segundo ele, como o banco não mexeu nas taxas para pessoas físicas, essa redução se deve ao adiamento por parte dos clientes da compra do imóvel.

Ainda assim, Machado aposta no potencial de lançamento nas mãos das construtoras. "Os empresários estão aguardando. Não têm mais a pressão de mercado para cumprimento de VGV (expectativa de faturamento dos lançamentos) porque o preço dos papéis já caiu. É melhor fazer bons lançamentos que sabe que vai vender bem".

Além disso, o banco também espera a partir desse ano por um número maior de repasses dentro do Plano Empresário. Nos últimos anos, a concessão foi crescente para as incorporadoras e muitas unidades serão entregues a partir de 2009. Com isso, o banco espera elevar o número de unidades financiadas de 16 mil no ano passado para 25 mil neste ano.

Outra modalidade que deve crescer é o financiamento com recursos do FGTS. O banco renovou a solicitação de R$ 500 milhões feita no ano passado e aguarda apenas a conclusão de algumas obras, cujos compradores tem o perfil adequado ao fundo, para iniciar as concessões.

Fonte: Valor Econômico / Fernando Travaglini

Walmar Pessoa
Author: Walmar Pessoa

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