Valor: Sarkozy se diz farto de ‘mentiras’ dos banqueiros

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O momento mais pitoresco da cúpula do G-20 em Pittsburgh foi quando o presidente da França, Nicolas Sarkozy, acusou os banqueiros de terem contado "duas grandes mentiras" aos governos, conforme relatou ao Valor um dos presentes na sessão dos líderes.

Sarkozy disse que os bancos mentiram quando argumentaram contra a necessidade de regulamentação para ajudar na integração econômica global; e, segundo, quando insistiam que sempre administraram os recursos de modo mais prudente que os governos. O resultado foi a pior crise financeira e econômica dos ultimos 60 anos.

O presidente francês disse, em tom inflamado, que estava "farto" de ouvir "mentiras" dos banqueiros e conclamou os outros líderes a não deixarem passar a ocasião para endurecer a regulamentação do sistema bancário e o controle dos bônus de executivos financeiros.

Mas o tema tema que gerou debate maior entre os líderes foi a estrutura do acordo para reequilibrar a economia global. O premiê britânico, Gordon Brown, defendeu a proposta anglo-americana de que os países com excedente (China, Alemanha, Japão etc) estimulem seu consumo interno e exportem menos , e aqueles com déficit consumam menos e exportem mais (EUA, principamente).

Já o presidente chinês, Hu Jintao, e a premiê alemã, Angela Merkel, retrucaram que o acordo deve discutir muito mais questões, alvejando indiretamente o papel do dólar. Sem mencionar especificamente a hegemonia da moeda americana, os dois insistiram na importância de reforma do sistema monetário internacional. A mensagem foi de que o custo do reequilíbrio não pode ser limitado a quem tem hoje superávit, como eles acham que parece sera proposta anglo-americana.

Pelo relato, todo o mundo enviou uma mensagem clara ao presidente americano, Barack Obama, para que aceite concluir a Rodada Doha de liberalização do comércio, com base no pacote que está na mesa de negociação. Só os EUA querem hoje "descosturar" o pacote delineado para cortar subsídios e tarifas agrícolas e industriais.

A China foi dura também contra o protecionismo americano. Os EUA recentemente impuseram sobretaxa à entrada de pneus chineses. Hu insistiu que o G-20 deve respeitar o compromisso de não aplicar nenhuma barreira adicional no comércio, ainda mais no cenário atual de crise. O premiê indiano, Manmohan Singh, reclamou que os países ricos produziram a crise e agora põem barreiras ao comércio que dificultam ainda mais a situação dos emergentes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi outro forte defensor da conclusão da Rodada Doha, atacou o protecionismo e, sobretudo, comemorou o avanço dos emergentes na repartição de poder no FMI e no Banco Mundial.

Fonte: Valor Econômico / Assis Moreira, de Genebra

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