40º Conecef: 75% dos afastamentos na Caixa são relacionados à saúde mental

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Durante os debates realizados no 40º Conecef, nesta sexta-feira, de cuja programação participam representantes do Sindicato dos Bancários da Paraíba, pontos de destaque foi a defesa do fim do teto de gastos da Caixa com saúde dos empregado. De acordo com a Contraf-CUT, 75% dos afastamentos na Caixa são relacionados à saúde mental

O diretor e representante da Contraf-CUT na CEE, Rafael de Castro, lembrou que “estamos na quadragésima edição do Congresso e que é daqui que sempre saem as prioridades da atuação das empregadas e empregados.” Para ele, o pessoal da Caixa está sendo massacrado no dia a dia de trabalho. “Não podemos normalizar as pessoas terem que trabalhar com medo, trabalhar sob pressão, voltar pra casa esgotadas, desmaiar na cama e voltar no outro dia para a mesma rotina de massacre”, disse.

Para a secretária da diretoria de mulheres do Sindicato dos Bancários, Danielle de Freitas, que está no Congresso representando os funcionários Caixa da Paraíba, participar do 40º Conecef é assumir o nosso papel na história de luta dos empregados da Caixa. “Há 40 anos, a mobilização coletiva conquistou a jornada de 6 horas, e hoje somos nós que precisamos estar unidos para enfrentar novos desafios. O futuro da Caixa e dos nossos direitos passa por esse debate: a defesa da Caixa 100% pública, o impacto da inteligência artificial, a sustentabilidade do Saúde Caixa e da Funcef, além da melhoria das nossas condições de trabalho. Se não estivermos presentes e organizados, outros decidirão por nós. Essa luta é de todos, e cada voz faz diferença. Vamos juntos forta…

O diretor de Saúde e Previdência da Fenae e presidente da Apcef-SP, Leonardo Quadros, alertou para os dados alarmantes referentes aos afastamentos na Caixa por acidentes de trabalho. Os dados de 2024 mostram que quase 75% dos afastamentos na Caixa eram causados por doenças mentais e comportamentais. “A própria Caixa fez uma estimativa de que os custos relacionados a tratamentos de doenças mentais e comportamentais, em 2024, representaram um total de quase R$ 200 milhões em despesas do Saúde Caixa. Não temos ideia de quais são os elementos considerados para fazer essa apuração se foram apenas terapias ou se também inclui internação ou outros, então estes custos podem estar subestimados, mas sabemos que os custos com terapias cresceram bastante nos últimos anos, em especial do ano retrasado para o ano passado”, disse.

A doutora em Economia e técnica do Dieese, Hyolitta Araújo, apresentou números sobre os registros de afastamentos no INSS e, também, da pesquisa da Fenae realizada em 2025, com mais de 3 mil trabalhadores da Caixa. Ela observou que são duas pesquisas de metodologias distintas, mas que ambas apontaram a ansiedade, o estresse e a depressão como as principais causas de adoecimento mental na Caixa.

Entre os pontos apresentados, Hyolitta destacou que a mudança no modelo de trabalho ocorrida nos últimos anos fez com que os transtornos mentais passassem a ocupar lugar de destaque nos problemas de saúde dos bancários. “Os novos modelos de organização, os ataques aos direitos trabalhistas, o ritmo acelerado de trabalho, a falta de pessoal, a pressão e o assédio moral fazem com que entre os bancários haja uma incidência maior de transtornos mentais do que em outras categorias de trabalhadores”, informou.

Dos afastamentos registrados pelo INSS entre bancários em 2024, mais de 50% foram motivados por questões relacionadas à saúde mental. Na Caixa Econômica Federal, o número é ainda maior e beira os 70%.

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