BRASÍLIA – A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, com 19 votos favoráveis e 2 abstenções, as indicações de Altamir Lopes e Sidnei Marques para a diretoria do Banco Central (BC). Lopes vai ficar com a diretoria de Administração e Marques, com a de Liquidação. As indicações precisam passar pela aprovação do plenário do Senado, o que deve acontecer ainda nesta quarta-feira.

Na sabatina, que durou três horas, os dois técnicos ressaltaram a importância do regime de metas de inflação, do câmbio flutuante e da geração de superávits primários (economia para pagamento de juros da dívida) para a manutenção da estabilidade econômica.

Lopes, por exemplo, afirmou que ainda enxerga um descompasso entre oferta e demanda, que vem pressionando a inflação, e reforçou a importância da obtenção de superávits primários no combate à alta de preços.

– Uma política fiscal responsável, como vem sendo praticada nos últimos anos, tem uma contribuição expressiva no controle da demanda agregada – afirmou Lopes, durante suas respostas aos questionamentos dos senadores presentes na CAE.

Perguntado sobre outros mecanismos de política monetária que não apenas o uso da Selic – a taxa básica de juros – para controlar a inflação, Lopes respondeu que os compulsórios bancários (mecanismo que retém dinheiro dos bancos e retira moeda de circulação na economia), por exemplo, apresentam limites no Brasil, pois as alíquotas estão "significativamente elevadas".

Os senadores questionaram também o problema encontrado no Banco PanAmericano, que quase quebrou por causa de fraudes contábeis, e perguntaram consequentemente como está o sistema financeiro atual. Marques respondeu que a situação do PanAmericano, vendido por Silvio Santos ao BTG Pactual, é "localizada". Ele argumentou que o BC tem um corpo de funcionários bastante eficiente para monitorar e supervisionar o sistema.

Polêmica na votação

Logo no início da sabatina, o presidente da CAE, senador Delcídio Amaral (PT-MS), sugeriu aos senadores abrir a votação sobre os indicados antes do término da sabatina. Isso gerou críticas principalmente de senadores da oposição, que preferiam que os questionamentos fossem encerrados antes de se abrir a votação. Apesar da resistência, no meio da sabatina foi aberta a votação, e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) se retirou do plenário em protesto. Os outros senadores do PSDB, em solidariedade, resolveram não votar.

– Nosso voto é favorável (às indicações), mas não vamos exercer o direito de voto por uma decisão do partido – afirmou Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

 
Fonte:  O Globo / Patrícia Duarte

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