A Grécia pode precisar de um novo pacote de ajuda de mais de 100 bilhões, valor bem acima do calculado anteriormente, segundo reportagem da revista alemã Der Spiegel. De acordo com a reportagem, especialistas do Ministério de Finanças da Alemanha, da União Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) acreditam que um pacote de ajuda dessa magnitude pode ser necessário se a Grécia continuar dependente de ajuda estrangeira em 2013 e 2014.
 

Há semanas autoridades da zona do euro reconhecem que a Grécia enfrentará deficiência no financiamento de cerca de 30 bilhões por ano em 2012 e 2013, mesmo depois do acordo de 110 bilhões do ano passado. Mas até agora os relatos sugeriam que um novo programa seria de 60 bilhões a 70 bilhões. A Der Spiegel afirma, porém, que o custo provavelmente será maior em razão dos bônus do governo grego que precisarão de financiamento em 2014.

Separadamente, autoridades da zona do euro afirmaram à Dow Jones no sábado que os governos chegaram a um acordo preliminar sobre a concessão de novos financiamentos à Grécia, que deverão exigir 30 bilhões em contribuições do setor privado.

A zona do euro vai pedir aos credores do setor privado para trocar dívidas de vencimento mais curto da Grécia por outras de longo prazo, um processo que poderia começar em julho, depois que os ministros de Finanças do bloco aprovarem o novo pacote de ajuda ao país em reunião marcada para 20 de junho.

Ontem, o jornal alemão Financial Times Deutschland informou que, segundo fontes, países da zona do euro poderão pedir mais garantias para apoiar o novo pacote de ajuda para a Grécia.

Pressão

O comissário de Economia da União Europeia, Olli Rehn, disse que a UE está trabalhando em um plano que encorajaria os bancos a manterem sua exposição à Grécia, como parte do pacote de ajuda financeira ao país que deverá ser aprovado até o fim deste mês. "Estamos trabalhando em algo no estilo da Iniciativa de Viena, de modo que bancos e instituições financeiras mantenham sua exposição à Grécia", afirmou Rehn.

A Iniciativa de Viena foi um acordo feito em 2009 entre a União Europeia e os bancos, pelo qual as instituições mantiveram sua exposição a países do Leste Europeu atingidos pela crise financeira.

Outros funcionários da UE disseram que estão trabalhando em um plano pelo qual os bancos seriam pressionados a trocar títulos da dívida soberana da Grécia próximos do vencimento por dívida de prazo mais longo, o que ajudaria a Grécia a atender a suas necessidades de financiamento pelos próximos três anos.

Fonte: O Estado de São Paulo

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