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O último dia da XV Conferência da Fetrafi Nordeste consolidou um chamado urgente à categoria bancária e ao movimento sindical: a necessidade de retomar a ofensiva na disputa de narrativas e na formação política dos trabalhadores. O encerramento do evento, marcado pelo debate sobre os desafios da comunicação na era digital, contou com a participação central de Samira de Castro, jornalista e presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
Em sua intervenção na última mesa do seminário, Samira destacou que o papel dos sindicatos hoje extrapola a função de apenas informar as bases. Para a palestrante, a classe trabalhadora enfrenta uma “guerra” que se deslocou do chão das fábricas e das ruas para o ambiente digital, onde os algoritmos ditam as regras do debate público.
”A gente não tem mais o papel de só informar as nossas categorias profissionais. A gente tem o papel crucial de formar consciências críticas e de saber defender o projeto que a gente quer para a sociedade”, afirmou a presidente da FENAJ.
Durante o debate, foi enfatizado que a disputa pelo projeto de sociedade passa, obrigatoriamente, por entender como as plataformas de redes sociais dominam a opinião pública.
O diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Paulo Henrique, destacou o impacto das fake news e a estratégia da extrema direita — que utiliza a desinformação de forma sistêmica. “O caminho para a verdade é mais árduo, mas necessário. Quando você desmonta uma mentira, é muito mais difícil do que quando você planta uma”, pontuou.
Samira, então, pontuou algumas estratégias de resistência que podem ser usadas: ocupação das redes (investimento em novos formatos como podcasts e vídeos curtos);
educação midiática (ensinar a classe trabalhadora a consumir informação de forma crítica); hibridismo na comunicação (não abandonar os métodos tradicionais, como o jornal impresso, o carro de som e o contato direto no local de trabalho).
”As pessoas pensam que é só formação de comunicação, mas é essencialmente formação política. A gente precisa formar massas críticas de trabalhadores”, explicou Samira.
Esperança como ferramenta política
O encerramento da XV Conferência deixou uma mensagem de resiliência. Diante de um cenário que tenta impor o pessimismo e a ideia de que não há mais conquistas possíveis, a comunicação sindical deve atuar como um farol de utopia e mobilização.
”O nosso papel é levar a esperança. A leitura crítica dos meios e do que é consumido como notícia é o que nos permitirá lutar por um projeto de emancipação”, concluiu a palestrante.
Com o fim das atividades, a Fetrafi Nordeste reforça seu compromisso em atualizar suas estratégias de luta, unindo a força histórica do movimento bancário à inteligência necessária para vencer a batalha nas redes e nos corações dos trabalhadores.





