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Dirigentes e representantes sindicais de diversas regiões do país participaram, nos dias 05 e 06 de maio, da 14ª Oficina de Formação da Rede Mulheres UNI Brasil, realizada em Praia Grande (SP). Com o tema “Rompendo o silêncio: informação que protege”, o encontro promoveu debates sobre violência de gênero, precarização das relações de trabalho, participação política das mulheres e políticas públicas de proteção e igualdade.
A abertura da atividade contou com a participação de lideranças sindicais nacionais, entre elas Ricardo Patah, além de representantes de entidades filiadas à UNI Brasil. O primeiro dia foi marcado por discussões sobre os impactos da pejotização na vida das trabalhadoras.
Durante a palestra, o técnico do DIEESE, Fernando Lima, destacou os prejuízos causados pela substituição de vínculos formais de trabalho pela contratação via PJ e MEI. Segundo os dados apresentados, a pejotização compromete diretamente a arrecadação da Previdência Social e do FGTS, além de retirar direitos históricos da classe trabalhadora.
As discussões também apontaram que, na maioria dos casos, o enquadramento como MEI não representa uma escolha da trabalhadora, mas uma imposição do mercado. Dados apresentados durante o evento mostram que os microempreendedores individuais já representam 16% da população ocupada no país.
Outro tema debatido foi a presença das mulheres na política e nos espaços de decisão. A palestra ministrada por Anália Silva abordou os desafios enfrentados pelas mulheres para ocupar cargos de poder, destacando que, apesar de serem maioria da população, ainda são minoria nos espaços políticos e sindicais.
Segundo os dados apresentados, apenas 13% das prefeituras brasileiras são comandadas por mulheres. A palestrante ressaltou ainda que a ausência feminina nos espaços de poder não é resultado de falta de interesse, mas consequência de um sistema estrutural de exclusão, agravado pela ausência de redes de apoio e pela divisão sexual do trabalho.
Já no segundo dia da oficina, os debates se concentraram no enfrentamento à violência contra a mulher e na construção de políticas públicas de proteção.
A palestra de Marilane Teixeira destacou a necessidade de atuação integrada entre os ministérios e defendeu políticas públicas transversais voltadas às mulheres. Durante a atividade, foi reforçada a ideia de que não há justiça social sem igualdade de gênero e de que o movimento sindical precisa ampliar a presença feminina nos espaços de direção e decisão.
As discussões também trouxeram reflexões sobre interseccionalidade, apontando que as desigualdades de gênero estão diretamente relacionadas aos recortes de raça e classe social. O Brasil foi citado como um dos países mais desiguais do mundo, onde o patriarcado e o neoliberalismo aprofundam vulnerabilidades históricas enfrentadas pelas mulheres, especialmente pelas mulheres negras.
A programação ainda abordou iniciativas como o Programa de Dignidade Menstrual e promoveu atividades práticas de autodefesa e defesa pessoal feminina, fortalecendo o debate sobre proteção, autonomia e enfrentamento à violência.
Para as participantes, a oficina reafirmou a importância da formação sindical como instrumento de conscientização, fortalecimento coletivo e ampliação da participação das mulheres nos espaços de representação e luta da classe trabalhadora.





