Reunião itinerante debate adoecimento psíquico no trabalho com empregados da Caixa

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O Sindicato dos Bancários da Paraíba realizou, nesta quarta-feira (13), mais uma edição da reunião itinerante “Adoecimento Psíquico no Trabalho: um silêncio que adoece”, desta vez com empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal. A atividade abriu um espaço de diálogo direto com bancários e bancárias para discutir saúde mental, assédio moral e assédio sexual no ambiente de trabalho.

A iniciativa é promovida pela Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários da Paraíba e foi conduzida pelo diretor Whashigton Luiz, responsável pela pasta. A proposta da reunião itinerante é levar informação e acolhimento diretamente aos locais de trabalho, fortalecendo a rede de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras do setor bancário.

Abertura destacou importância da informação e do acolhimento

A diretora Danielle Freitas fez a abertura do encontro, apresentando a iniciativa e ressaltando a importância de os empregados e empregadas da Caixa conhecerem os mecanismos de proteção relacionados à saúde mental no trabalho.

Segundo ela, falar sobre o tema é fundamental para romper o silêncio que muitas vezes cerca o sofrimento psíquico no ambiente profissional.

“É muito importante que os colegas tenham acesso a essas informações e saibam que não estão sozinhos. O Sindicato está aqui para acolher, orientar e garantir que cada bancário e bancária conheça seus direitos”, destacou.

NR-1 e responsabilidade das empresas com a saúde no trabalho

Durante a reunião, o diretor Whashigton Luiz explicou aos participantes aspectos da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais para a gestão de segurança e saúde no trabalho.

A norma determina que as empresas devem possuir um Programa de Gerenciamento de Riscos, que inclui a identificação, avaliação e mitigação de riscos ocupacionais — entre eles os riscos psicossociais, como pressão excessiva por metas, assédio e sobrecarga de trabalho.

Whashigton também apresentou os canais de apoio oferecidos pelo Sindicato, reforçando que bancários e bancárias que estejam enfrentando problemas de saúde relacionados ao trabalho podem procurar a entidade para orientação e acompanhamento.

Sindicato orienta e pode abrir CAT

Um dos instrumentos fundamentais para proteger o trabalhador é a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), que formaliza que uma doença ou acidente possui relação com o trabalho.

A CAT pode ser aberta não apenas pela empresa, mas também pelo próprio trabalhador, por médicos, sindicatos ou autoridades públicas. No Sindicato dos Bancários, os empregados e empregadas podem receber orientação para realizar essa abertura.

Além disso, a entidade oferece acolhimento psicológico, orientação jurídica e acompanhamento do caso, garantindo que o bancário ou bancária tenha suporte diante de situações de adoecimento, assédio ou outras violações relacionadas ao ambiente de trabalho.

Psicóloga alerta para sinais do corpo e importância de buscar ajuda

A psicóloga Miha Maia destacou durante o encontro a importância de observar os sinais que o corpo apresenta quando algo não vai bem.

Segundo ela, sintomas como cansaço extremo, ansiedade constante, irritabilidade, insônia ou crises emocionais podem indicar que o trabalhador está adoecendo.

Ela também alertou para o peso do estigma ainda existente em torno da saúde mental.

“Muitos colegas continuam trabalhando e fingindo que não estão doentes por medo do julgamento. Alguns chegam a evitar sair para lugares públicos, como shopping ou praia, com receio de serem vistos e criticados. Precisamos romper com esse estigma”, afirmou.

A psicóloga também ressaltou que o adoecimento psíquico no trabalho não é um problema individual, mas sim um fenômeno coletivo, muitas vezes relacionado à própria estrutura organizacional das empresas.

Mulheres relatam impactos mais intensos

Durante o espaço aberto para intervenções, uma funcionária da Caixa destacou que o adoecimento psíquico no trabalho frequentemente recai com mais intensidade sobre as mulheres.

Segundo o relato, além das pressões profissionais, muitas trabalhadoras enfrentam desafios adicionais, como a dupla jornada, o acúmulo de responsabilidades familiares e obstáculos para o crescimento profissional dentro das instituições.

A fala trouxe à tona a necessidade de olhar para as desigualdades de gênero presentes no ambiente de trabalho e para os impactos que elas podem gerar na saúde mental das trabalhadoras.

Participação dos empregados reforça importância do diálogo

O encontro também contou com a participação do gerente geral Ricardo Barbosa, que ressaltou a importância da aproximação entre os trabalhadores e o Sindicato.

Danielle Freitas também reforçou que o cuidado coletivo é fundamental para identificar situações de sofrimento no ambiente de trabalho.

“Se um colega perceber que outro trabalhador da agência não está bem, é importante procurar o Sindicato. Quem convive diariamente muitas vezes consegue perceber mudanças de comportamento ou sinais de adoecimento. Estamos juntos para acolher e oferecer as informações necessárias”, destacou.

Sindicato reforça compromisso com a saúde da categoria

A reunião itinerante faz parte de uma série de atividades do Sindicato voltadas à promoção da saúde e à prevenção do adoecimento entre bancários e bancárias.

A entidade reforça que nenhum trabalhador ou trabalhadora precisa enfrentar o sofrimento sozinho. Em casos de adoecimento, assédio ou qualquer situação de vulnerabilidade no trabalho, o Sindicato está disponível para acolher, orientar e garantir o acesso aos direitos da categoria.

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