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Em encontro da Uni Américas na República Dominicana, Contraf-CUT reforçou que a defesa do trabalho decente e do desenvolvimento regional passa pelo fortalecimento das instituições democráticas no Brasil
O avanço da instabilidade política, os impactos da inteligência artificial (IA) e das transformações digitais nas relações de emprego, o direito à saúde mental e o fortalecimento da negociação coletiva foram os principais temas abordados por lideranças sindicais das Américas no primeiro dia de atividades do encontro anual do Comitê Executivo Regional da Uni Américas, realizado entre 6 e 7 de agosto, em Santo Domingo, na República Dominicana.
No segundo dia de atividades, o grupo discutiu negociações para as convenções coletivas e a formação de mulheres em tecnologia da informação (TI). “Os desafios são os mesmos em toda a região, variando apenas na intensidade. Por isso, encontros como este são fundamentais: a partir da análise da conjuntura política e social de cada país, trocamos experiências e reorganizamos as estratégias de luta da classe trabalhadora”, explicou Rita Berlofa, secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que apresentou o cenário brasileiro no evento.
Defesa da democracia e o cenário brasileiro
Durante sua apresentação, Berlofa apontou que o principal desafio do movimento sindical no Brasil, no momento, é a defesa da democracia, o que passa pela reeleição de Lula e pela eleição de parlamentares comprometidos com as pautas trabalhistas.
“O fortalecimento das instituições democráticas continua sendo um tema central. O combate à desinformação, a proteção da integridade eleitoral e o enfrentamento ao extremismo político são desafios permanentes”, observou a dirigente, relembrando as tensões institucionais vividas pelo país nos últimos anos, cujo ponto crítico foram os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A secretária ressaltou que a mobilização dos movimentos sociais e dos sindicatos foi decisiva para evitar o golpe e sustentar a resposta das instituições republicanas. “Finalmente, em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os envolvidos na trama golpista. A Polícia Federal revelou o plano ‘Punhal Verde Amarelo’ — um complô para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes —, além de seguir investigando ameaças contínuas à ordem pública”, pontuou.
O paradoxo econômico e as narrativas em disputa
Apesar das condenações, a dirigente alertou que o Brasil ainda enfrenta expressiva polarização política. Segundo Rita Berlofa, o país vive um paradoxo entre indicadores econômicos positivos e a percepção da população:
“O governo apresenta bons números — desemprego nos menores patamares históricos, valorização do salário mínimo, redução da pobreza, queda no desmatamento e aprovação da reforma tributária. No entanto, parte considerável da população mantém uma percepção negativa da economia, o que impacta diretamente o cenário eleitoral”.
Ela apontou quatro fatores que alimentam esse descolamento entre a realidade macroeconômica e o sentimento popular:
– Inflação persistente (ainda que controlada e em menores níveis já registrados em 20 anos no país);
– Comparação com o ciclo de mobilidade social dos anos 2000;
– O papel das redes sociais na criação de expectativas de consumo acima da renda real; e
– A frustração de uma geração escolarizada que não encontra postos de trabalho compatíveis.
Pressões internacionais e desafios sociais
Somado ao cenário interno, a dirigente destacou os impactos de fatores externos, como as pressões econômicas e políticas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que afetam diretamente a economia brasileira.
“O governo brasileiro vem enfrentando o tarifaço americano com diplomacia, ações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e medidas concretas, como o programa Brasil Soberano — um pacote de R$ 18,5 bilhões focado nos setores produtivos afetados —, além da diversificação de parceiros comerciais”, relatou. Rita também citou a preocupação com a crescente militarização do Atlântico Sul, impulsionada pela aliança entre os governos de Trump e de Javier Milei, na Argentina.
No âmbito doméstico, ressaltou-se a necessidade de enfrentar novos problemas sociais que afetam diretamente o orçamento das famílias, como o endividamento e a proliferação das casas de apostas online (bets), que consumiram, em 2025, R$ 6,5 bilhões do orçamento das familiar, segundo dados do Ministério da Fazenda.
O papel estratégico do movimento sindical
Para a Contraf-CUT, a atuação do movimento sindical brasileiro e internacional vai além da disputa eleitoral pontual: trata-se de defender um modelo de desenvolvimento inclusivo e soberano.
“Estamos falando da defesa de políticas públicas de combate às desigualdades de raça e gênero, da regulação da inteligência artificial no trabalho, da proteção previdenciária e da defesa da soberania nacional — o que inclui a proteção ao Pix, das reservas de terras raras e da autonomia da nossa política externa”, afirmou Rita.
A dirigente concluiu destacando que acompanhar o processo político no Brasil é estratégico para todo o continente: “O resultado do processo eleitoral brasileiro influenciará diretamente a integração regional, a manutenção de direitos trabalhistas e a capacidade da classe trabalhadora de responder coletivamente aos desafios da transformação tecnológica e das mudanças no sistema financeiro internacional”, pontuou.
Fonte: Contraf-CUT





