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Representação dos empregados destaca o risco de precarização do ambiente de trabalho na Caixa e enfraquecimento do próprio banco público em eventual governo Flávio Bolsonaro
Neste domingo, 25 de outubro, eleitoras e eleitores vão às urnas para decidir os rumos do Brasil. Mais do que escolher uma candidatura, o segundo turno das eleições presidenciais representa uma decisão sobre o futuro dos serviços públicos, dos direitos da população e das condições de trabalho de milhões de brasileiras e brasileiros. Por isso, é fundamental participar do processo eleitoral com consciência do que está em jogo e das propostas defendidas por cada candidatura.
Falas em defesa da substituição de servidores por Inteligência Artificial (IA) da coordenadora econômica da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, passaram a repercutir às vésperas do 2ª turno das eleições presidenciais, marcadas para este domingo, 25 de outubro.
Uma das declarações mais divulgadas da economista sobre o assunto aconteceu durante sua participação no podcast G4, empresa de Tallis Gomes, conhecido pela frase “Deus me livre de mulher CEO”. Na ocasião, Daniella Marques disse que 12 milhões de servidores públicos poderiam ser substituídos no Brasil pela IA.
“A somatória dessas declarações de Daniella Marques aos eventos que nós, empregados e empregadas da Caixa e a própria empresa pública, sofremos durante o governo Jair Bolsonaro reforçam a importância dessas eleições para todo o funcionalismo”, destaca Luiza Hansen, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa).
Daniella Marques, inclusive, já foi presidenta da Caixa. Cargo que assumiu, em julho de 2022, às pressas para ajudar a conter a crise envolvendo o antecessor, Pedro Guimarães, acusado de uma série de denúncias de assédio sexual e moral contra funcionárias.
“Além dos escândalos de assédio, relatórios internos da Caixa mostraram que, durante o governo Bolsonaro, houve deterioração severa no ambiente de trabalho, que passou a ser na base de cobranças excessivas por metas e abafamento de denúncias, por parte da então cúpula do banco público”, lembra Luiza.
Foi também durante a gestão Jair Bolsonaro que a Caixa foi submetida a um processo de desmonte, começando com a venda de R$ 9,8 bilhões em ativos, logo no primeiro ano (2019), passando, nos anos seguinte, pela publicação da Medida Provisória 995/2020, que autorizava a venda de subsidiárias, e a concretização da abertura de capital, o que levou à transferência de parte de setores altamente lucrativos do banco, como Caixa Seguridade e Banco Pan, ao setor privado.
“Eles tinham planos explícitos de privatizar ou vender participações nas subsidiárias Caixa Cartões, Gestão de Recursos (DTVM) e Loterias. Só não conseguiram ir mais adiante por conta da forte resistência dos empregados, do movimento sindical bancário e da bancada de parlamentares que sempre lutaram pelos trabalhadores no Congresso”, conta a coordenadora da CEE.
“Onde puder privatizar, nós vamos privatizar”
Sobre a estranha proposta de Daniella Marques de substituir milhares de servidores por IA, Luiza ressalta que o movimento sindical nunca foi e nem será contra a implementação das novas tecnologias. “Nossa crítica é sobre a viabilidade técnica de automatizar rotinas sociais e bancárias complexas, sem detalhar quais setores serão afetados. A IA deve ser implementada como ferramenta de automação de produtividade, sempre sob a supervisão humana, para impedir riscos de falhas à segurança e atendimento aos cidadãos”, avalia.
A coordenadora da CEE/Caixa, no entanto, chama a atenção para outras falas que preocupam: a do próprio candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, sendo a principal delas realizadas em fevereiro, durante sua participação na CEO Conference do BTG Pactual.
Na ocasião Flávio disse que sua pretensão é “privatizar 95% das estatais”: “Onde puder privatizar, nós vamos privatizar”, completou.
“É por isso que as entidades que representam os empregados da Caixa apontam que o embate eleitoral atual coloca em jogo dois modelos opostos: um deles é o da preservação do caráter social e 100% público do banco, contra o outro modelo político, que é o da retomada de projetos de enxugamento, fatiamento e privatização da Caixa”, explica Luiza Hansen.
A dirigente observa ainda que, além da retomada de uma gestão marcada pela precarização do ambiente de trabalho e sem a recomposição dos quadros operacionais, o risco da volta de uma política de desmonte da Caixa prejudicaria o atendimento à população em setores como o Bolsa Família, FGTS e financiamento habitacional.
“O enfraquecimento desses serviços seria mais um caminho aberto para a privatização dos serviços da Caixa. Por isso que entendemos que o resultado das urnas, neste 25 de outubro, definirá não só o futuro do país como o nosso e o das nossas famílias”, pontua.





